O último 10 – Tcheco

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Fane Webber escreve sobre Tcheco.


O ano era 2006. 

Um ano agradável para os gremistas, que estavam se sentindo mais aliviados (e até eufóricos) com o título da série B do ano anterior. A batalha dos aflitos deu um ânimo inimaginável ao torcedor, algo realmente difícil de explicar para quem não viveu aquele momento. E no ano seguinte, em seu local de direito na série A do campeonato brasileiro, o Grêmio reforçava seu elenco. 

Foi das arábias que veio Anderson Simas Luciano, o Tcheco

O último 10 - Tcheco

O camisa 10 gremista não chegou no estádio Olímpico de tapete voador ou coisa que valha, mas marcou por algumas mágicas partidas que fez pelo Grêmio. Tanto que o carinho da torcida dura até hoje por causa da honra e dedicação que ele teve em campo. É impossível falar da camisa 10, ainda mais dos últimos 20 anos, e não lembrar dele. 

Como não se apaixonar pelo Tcheco? A história da sua estreia com a camisa do Grêmio já mostra a personalidade e o caráter dele como jogador. Em 2006 o Grêmio iria jogar contra o Veranópolis e tinha dez desfalques no elenco por conta da confusão da Batalha dos Aflitos, no ano anterior. Recém chegado no clube, o jogador estava treinando forte enquanto seu nome não saía no BID. Exausto após longas sessões de treino, o técnico Mano Menezes anunciou sua liberação pela CBF e que o jogador iria ficar no banco de reservas. A justificativa era apenas para completar o número de jogadores no banco. Foi então que durante o jogo, que estava empatado, o técnico gremista resolveu que seria a estreia do novo reforço e Tcheco não decepcionou. Mesmo cansado marcou um gol e deu uma assistência – cruzamento de escanteio – para outro, foi assim que o Grêmio venceu o Veranópolis fora de casa por 1×4. Esse foi o Tcheco no tricolor, mesmo cansado estava disponível para jogar pelo clube.

Essa sua personalidade e liderança era tão visível que praticamente transbordava até as arquibancadas do Olímpico. A torcida entendeu Tcheco e Tcheco, por sua vez, entendeu a torcida. Grandes foram seus momentos pelo clube, mesmo que os títulos sejam todos em âmbito regional. Um desses momentos foi a Libertadores de 2007. Quero lembrar a vocês aquele que ilustra esse texto, a foto clássica de Tcheco com os braços abertos com um dos uniformes mais legais do Tricolor.

Uma falta na lateral do campo, bola cruzada na área e sobra para o capitão que bate nela de peito de pé. Surpreendendo o (chato) Rogério Ceni, goleiro são-paulino. Tcheco corre em direção a geral com os braços abertos, um preto e outro azul com a braçadeira de capitão. Grita com garra, aos 15 do primeiro tempo, igualando a partida do revés no jogo anterior. O Grêmio, que perdeu no Morumbi por 1×0, venceu no Olímpico por 2×0 e passou a ser um dos favoritos.

Essa Libertadores foi um retardo.

Me desculpem os que não gostam dessa terminologia, mas a criatividade dos adjetivos me falta e a verdade é que chegar a final da principal competição da América do Sul apenas dois anos depois de um rebaixamento (e com a mesma comissão técnica) é completamente fora da realidade. E tudo bem que ficamos putos da cara que não conseguimos levar o caneco, mas a real é que agora, mais de dez anos depois, começo a pensar nessa competição com a cabeça mais fria. Porque para o gremista, mesmo com a derrota para o Boca Juniors no jogo de ida, ainda parecia possível. Não era uma questão de apenas um “eu acredito” nas comunidades do falecido Orkut ou coisa que valha. É que a torcida e a equipe gremista estava tão afinada que os DEUSES DO FUTEBOL devem se arrepender até hoje não ter proporcionado algo melhor para aquele elenco em que o nosso camisa dez foi capitão.

Representou muito com a camiseta do Grêmio porque entendeu a maneira como aquele time poderia render. Que aceitou e abraçou a pressão da torcida.

Depois de 2006-07, Tcheco ainda viveu outro biênio no Grêmio: 2008-09. O capitão gremista voltou na metade do ano de 2008 liberado pelo Al-Ittihad e podendo jogar graças a uma liberação legal na justiça desportiva.

Outro gol que eu gosto muito do Tcheco foi um feito no Palmeiras em 2008, quando o Grêmio disputava o Brasileirão e chegou a ser líder por boa parte do campeonato. Uma falta de dois toques na lateral do campo, o capitão conduz ela um pouco e arrisca um cruzamento estranho que ninguém encosta e entra no gol surpreendendo todos! Esse gol tirou o Palmeiras da disputa do título e também foi um daqueles gols mais ‘Tchecos” que teve. Confira aqui abaixo:

Tcheco merecia sorte melhor no Grêmio quando o assunto é títulos, esse brasileiro de 2008 ele amargou o segundo lugar novamente. Um campeonato difícil e cheio de equipes boas. O já mencionado Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e o campeão São Paulo. Passamos perto demais.

Para descontrair o final desse texto, gosto de lembrar do nosso capitão como o BOCA DE BURRO. Esse era o nome usado por Tcheco em partidas online no seu XBOX 360. O jogo é Ghost Recon Advanced Warfighter 2, sim um nome gigantesco. E o “Boca de Burro” jogava online com seu parceiro “Cangaceiro”, que era Souza, outro meia gremista.

Nos dez anos do Mesa de Bar do Grêmio, não tivemos a honra de falar sobre o Tcheco, além dos comentários lembrando da suas passagens. Quando lembrado, ele sempre recebeu tratamento exemplar do programa: Foi muito elogiado e também fortemente corneteado. Receber corneta do MBG certamente é um título que Tcheco não deixou passar.

Tcheco foi um gremista em campo que merece ser lembrado sempre!