Grêmio e o caminho da queda para a Série B

O caminho do Grêmio está sendo pavimentado com suor e lágrimas dos que menos merecem o que está acontecendo: o torcedor. 

É muito fácil analisar o fracasso depois que ele acontece: vemos todas as falhas, percebemos em quais encruzilhadas escolhemos o caminho errado, quais foram os momentos que deixamos de nos dedicar e onde investimos quando deveríamos economizar. 

É uma série de fatos que nos leva à derrocada, ninguém acorda um belo dia e perde tudo. A queda é igual à ascensão, acontece lentamente e não de uma hora para outra.

Na hora que tudo dá errado sempre surgem os gladiadores do “eu avisei”, os bastiões do “eu nunca fui a favor dessas decisões”, os leões da “só não falei para preservar a instituição”, os guerreiros do “precisamos oxigenar” e os ferozes combatentes que lutam sob os estandartes do “sempre alertei, mas era silenciado por uma maioria que se beneficiava”. 

Fico até um pouco triste ao ver que ao fim e ao cabo a oposição só é uma situação que não está no poder. Desde que acompanho o GRÊMIO são sempre as mesmas pessoas dizendo as mesmas coisas e tomando as mesmas atitudes. 

Não julgo ninguém, afinal cada um faz o que é capaz de fazer. 

Eu, por exemplo, nunca trabalhei no GRÊMIO. Eu nunca fiz parte de nenhuma gestão e nem fiz algo além do que os leitores sabem: textos, áudios, podcasts e brigas homéricas com o meu amigo Fane Webber. De resto sou apenas um torcedor palpiteiro como qualquer outro. 

Porém, é bem chato ver pessoas que deveriam ter se posicionado quando tiveram a chance. Pessoas essas que aparecem neste momento e estão se colocando como opção de mudança. 

Mas essa é só minha opinião, talvez eu esteja errado, normalmente estou, apesar dos fatos coincidirem com o que eu digo.

O Mesa de Bar do GRÊMIO ™ vem avisando que o GRÊMIO está perdido faz tempo. Se buscarem os programas do ano passado, já dizíamos que havia algo de muito errado nas contratações e comandos do clube. Acredito que devem haver falas nesse sentido desde a queda da Libertadores de 2019. Eu, particularmente, achei que o GRÊMIO deveria ter passado por uma forte reestruturação após a derrota para o Flamengo por 1×0 na Arena em 2019. Eles vieram com um time reserva, nós fomos com força máxima em casa e perdemos. Não podia estar indo por um bom caminho.

As contratações do clube nos últimos cinco anos são todas questionáveis. Mesmo aquelas algumas poucas que deram alguma resposta não são contratações dignas de quem busca a excelência. Dizem as más línguas que o Renato mandava e desmandava no departamento de futebol. Ora, se isso é verdade, me  parece que é pior ainda do que parece. Permitir um domínio completo do departamento de futebol só mostra mais ainda que a atual gestão viveu de um trabalho de curto prazo realizado na segunda metade de 2016 e que todos os sucessos foram por puro acaso. 

A queda para a segunda divisão não é uma casualidade, não é uma tragédia que possamos atribuir a quem quer que não seja o próprio GRÊMIO. É um trabalho lento e gradual que foi traçado e pensado. Analisem as direções do nosso futebol nos últimos anos e me digam se tinha como dar certo.

A torcida invadiu o campo no jogo contra o Palmeiras. Foi uma atitude errada de um grupo que está indignado, mas vai prejudicar o GRÊMIO. 

Mesmo assim, devemos considerar que a atual gestão, com certeza, prejudicou bem mais.

Tudo isso, ou não.

Anderson Kegler