O último 10 – Carlos Miguel

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Rodrigo Azevedo escreve sobre Carlos Miguel.


O último10 - Carlos Miguel

Às vezes se fala que Grêmio multicampeão dos anos 90 era um time que jogava por um gol e era retranqueiro. Alguns desavisados ou esquecidos até contestam a qualidade técnica daquele time. Mas essas teorias e falácias facilmente caem por terra quando lembramos de vitórias elásticas como o 5×0 contra o Palmeiras ou o 3×1 contra o Nacional de Medellín, ambas na Libertadores de 95. Mas em outros momentos, não precisamos nem falar de placares. Basta lembrar de alguns jogadores daquele esquadrão para termos certeza que havia qualidade sim. E muita qualidade.

O camisa 10 daquele elenco era um volante. Emerson, campeoníssimo no Grêmio e na Europa. Mas não é dele que vamos falar. Mesmo porque ele foi reserva em 95, principal ano daquela geração. Reserva de luxo, é verdade, mas ainda um reserva.

E quando falamos do conceito de camisa 10, falamos de um titular absoluto, referência técnica da equipe. Aquele meia ofensivo, habilidoso, que chega no ataque, que dá assistência, pifa o companheiro e lógico, que faz gol! E quem tinha todas essas habilidades de forma incontestável naquele time usava a camisa 11: Carlos Miguel.

Rápido, habilidoso, passe preciso, sabia bater na bola, cobrava escanteio e batia falta. Só não cabeceava, mas pra isso tínhamos Nildo e Jardel. Miguelito, como era carinhosamente chamado pela torcida, além de tudo isso era predestinado a brilhar com a camisa tricolor. Vocês vão entender o que quero dizer.

Carlos Miguel da Silva Júnior, Gaúcho de Bento Gonçalves na serra gaúcha, foi da base do Grêmio como outros jogadores que também estrelaram esse clássico elenco dos anos 90. Ele fez parte do time vice-campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1991, melhor classificação do Grêmio nesta competição até hoje.

Foi promovido aos profissionais em 1992 e já em 1993, chegada do técnico Felipão, virou destaque, passou a figurar como titular e veio o primeiro título: Campeão Gaúcho. Coincidentemente o ano que comecei a frequentar o saudoso estádio Olímpico.

Em 1994, já titular absoluto, foi fundamental para a conquista da Copa do Brasil. Não só pela participação em toda campanha, mas principalmente no segundo jogo da final, pois o gol do título partiu dos pés dele. Cobrador de escanteios do time nos anos que vestiu a camiseta tricolor, foi dele a cobrança precisa que encontrou Nildo na área naquela final no Estádio Olímpico. E eu lembro com muito carinho daquela noite, pois foi o primeiro título que assisti no estádio.

Em 1995, com a chegada de reforços para a Libertadores, Carlos Miguel fez parte do time mais famoso daquela geração. A escalação era: Danrlei, Arce, Rivarola, Adilson e Roger; Dinho, Goiano, Arilson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel. Até rimava. E realmente jogavam como música. Carlos Miguel fazia uma dupla muito entrosada no meio campo com Arilson e eram os responsáveis por levar a bola ao ataque. Tenho até hoje em minha memória: noite fria de libertadores, fumaça dos sinalizadores em campo, torcida pulsando e eu piá nas arquibancadas do Olímpico, tentando entender como ele conseguia fazer passes e triangulações com tanta facilidade e agilidade! Eram passes de primeira, dribles e lançamentos diferenciados! Dignos de um camisa 10.

Dias antes de disputar as finais da Libertadores de 95, o Grêmio jogou dois jogos contra o Inter pelas finais do Gauchão. No primeiro jogo 1×1 no Beira Rio. O segundo jogo, no Olímpico, também estava 1×1 e adivinha quem fez o gol do título? Ele mesmo Carlos Miguel.

O time deste ano foi o que eternizou essa geração e levantou a taça Libertadores. Mas como nem tudo são flores, foi esse time que perdeu o único título que faltou na carreira do Carlos Miguel pelo Tricolor. O mundial interclubes. O Ajax de 95 era também a base da fortíssima seleção holandesa da época. E o Grêmio de Carlos Miguel enfrentou de igual para igual o jogo todo, mesmo jogando quase todo o segundo tempo com um jogador a menos. Aquele empate em 0x0 e derrota nos pênaltis certamente foram o golpe mais duro na sua carreira.

O ano de 1996 começou já com disputa de título. Naquele tempo a Recopa Sul Americana ainda era disputada em jogo único. Na ocasião o Grêmio, campeão da Libertadores 95 enfrentou o Independiente da Argentina, campeão da Supercopa 95. E Carlos Miguel brilhou mais uma vez. Uma não, três vezes. E de todas as formas possíveis: O jogo estava 1×1 e no final do primeiro tempo Carlos Miguel aproveita a falha do goleiro para fazer o segundo gol do Grêmio na partida. No segundo tempo é Carlos Miguel quem invade a área e sofre pênalti. O capitão América Adilson cobra o pênalti e faz o terceiro do Grêmio. E para finalizar, no fim do jogo é Carlos Miguel quem mais uma vez invade a área e desta vez cruza para o gol de Paulo Nunes, que fechou a goleada de 4×1 para o Grêmio e garantiu o para nós o título inédito da Recopa Sul Americana.

O segundo título conquistado em 1996 foi o Campeonato Gaúcho, o terceiro Gauchão de Carlos Miguel.

Ainda em 1996, o jogo que tenho na memória como sendo o mais emocionante e tenso que viví no Olímpico. O Grêmio enfrentava na final do campeonato Brasileiro o forte time da Portuguesa. Tínhamos perdido por 2×0 o primeiro jogo e precisávamos no mínimo igualar o placar em Porto Alegre (já que o Grêmio tinha melhor campanha no campeonato). O Grêmio havia aberto o placar logo no início do jogo com Paulo Nunes e pressionou o jogo inteiro atrás do segundo gol que não saía. O fim da história quase todo gremista conhece: Uma bola alçada na área da Portugueza, a zaga afasta mal e Aílton faz o gol do título no rebote. O que poucos se lembram é quem alçou essa bola na área. Ele mesmo: Carlos Miguel. Mais um título para o currículo.

O ano de 1997 fecha com chave de ouro essa geração vencedora da qual Carlos Miguel fez parte do início ao fim. Felipão já não era mais o técnico. Mas o time que ele montou seguia copeiro e o Grêmio mais uma vez chegava à final da Copa do Brasil, desta vez contra o Flamengo que tinha no ataque nada menos que Sávio e o craque Romário. O primeiro jogo, no Olímpico, havia ficado no 0x0. O segundo jogo foi no Maracanã, com quase 100.000 pessoas. O Grêmio tinha aberto o placar com João Antônio logo aos 6 minutos, mas o Flamengo virou ainda no primeiro tempo, com o segundo sendo marcado por Romário.

Mas uma característica daquele Grêmio era não se entregar. O segundo tempo foi brigado até o fim. E assim como a Copa do Brasil de 1994 abriu essa fase vitoriosa com a participação de Carlos Miguel no gol do título, a Copa do Brasil de 1997 encerrava este ciclo também com a Participação dele no gol do título, mas dessa vez não com assistência e sim marcando o gol, como um centroavante, dentro da pequena área, aparando um cruzamento de Roger, colocando a bola no fundo do gol e calando o Maracanã.

Carlos Miguel saiu do Grêmio ainda em 1997 para jogar no Sporting Lisboa, mas não se adaptou à Portugal. Retornou ao Brasil em 1998 para jogar no São Paulo, onde foi bicampeão paulista e campeão do torneio Rio-São Paulo. Essa boa passagem lhe rendeu vaga na Seleção Brasileira que disputou a Copa das Confederações em 2001.

Mas como o ser humano é imperfeito, em 2002 ele jogou no nosso rival inter. Em 2003 e 2004 se redimiu, retornando ao Grêmio, mas escolheu uma péssima época, pois todos sabemos o que aconteceu com o tricolor em 2004. Miguelito finalmente encerrou sua carreira atuando pelo Corinthians de Alagoas entre 2005 e 2007. 

Certamente essa reta final não apaga todo o brilho da sua carreira.

Carlos Miguel é acima de tudo um vencedor, um predestinado. Dos 8 títulos vencidos com a camisa do Grêmio, participou de jogadas de gol em 5 decisões.

Carlos Miguel não usou a 10 do Grêmio, mas ele foi, como diria o grande narrador Sílvio Luiz: O craque da camisa número 11.

MBG.Doc – Brasileirão de 81

O ano é 1981.

Nas ruas da capital gaúcha o Fusca era o carro mais comum, mas também é possível ver Chevettes, Fiats 147, Corcel, Del Rey , Kombis e, claro, os suntuosos Opalas. O posto de combustíveis Barril anuncia com uma faixa, TEMOS ÁLCOOL. Essa é a imagem da capital de todos os gaúchos. Porto Alegre. A cidade onde os jovens frequentavam a lanchonete Joe’s lá no alto da Ramiro para beber o chamado “melhor milkshake da cidade”, apesar de o maior sucesso mesmo ser a Banana Split.

A cidade está com um clima diferente, de ressaca. Na noite anterior os rádios de gremistas e colorados estavam sintonizados no estádio Morumbi em São Paulo, no dia seguinte a maioria do Estado do Rio Grande do Sul comemora. Nas bancas de jornais as manchetes explicam os cheiros e sabores da capital gaúcha, “Grêmio Campeão Brasileiro” em letras garrafais na Zero Hora. No Correio do Povo a manchete diz “Grêmio o justo campeão nacional”. Na folha da tarde em letras garrafais, Grêmio é o melhor do Brasil.

Emanuel Mattos escreveu na Revista Placar e resumiu a noite de êxtase: “Loucura – é o mínimo que se pode dizer para sintetizar os sentimentos que essa nação gremista soltou no melhor dia dos 77 anos do clube, o dia em que o Grêmio chegou pela primeira vez ao título de campeão brasileiro. É impossível descrever de outra forma aquela massa que se deslocava aos milhares em direção ao aeroporto Salgado Filho para receber os novos heróis do Rio Grande cantando o refrão do hino gremista com um ufanismo comovente.

A história do primeiro título brasileiro do Grêmio começa antes da noite de três de maio no estádio do Morumbi em São Paulo.

Se tem uma coisa que a CBF adora fazer é inventar fórmula de campeonato. No ano de 1981 também não foi diferente. Originalmente chamado de Taça de Ouro, o Brasileirão daquele ano contou com 6 clubes vindos do Paulistão, 5 clubes do Carioca, dois do Gauchão, Mineiro, Paranaense, Baiano, Pernambucano, Cearense e do GOIANÃO. E dos outros estados, apenas o campeão de cada certame estadual. Além deles, ainda vieram mais 4 da Taça de Prata, que havia sido jogada anteriormente no mesmo ano. Era como se fosse o G4 da Série B de hoje/ se juntando a Série A. Confusão TOTAL.

O campeonato começou no dia 17 de JANEIRO e a grande final foi no dia 03 de maio. Ou seja, em 4 meses o Brasileirão estava resolvido. No fim, ou no início, no caso, eram 4 grupos com 10 clubes em cada. Turno único dentro dos grupos e se classificavam os SETE primeiros de cada grupo. Uma festa.

O Grêmio estava no Grupo B, junto com Portuguesa, Operário, Goiás, Corinthians, GALÍCIA, Botafogo, PINHEIROS, Brasília e Desportiva Ferroviária. 

O primeiro jogo do tricolor foi no dia 18/01 contra o Goiás lá no Serra Dourada. O placar final foi 0x0 e a gente já até imagina o alívio de não perder lá. A gente sempre perdia lá. Depois recebemos no Estádio Olímpico o Galícia – que não era um time europeu convidado e sim uma equipe da Bahia e por sinal um dos mais tradicionais clubes de Salvador – e o Desportiva Ferroviária. Duas vitórias, 2-1 e 2-0 respectivamente. E alí já começava a brilhar a estrela de Baltazar. 1 gol em cada jogo.

Ainda em janeiro saímos para enfrentar o Pinheiros e deu empate em 1-1 e depois no Estádio Olímpico foi a vez de enfrentar o Corinthians. Vitória por 1-0 com gol de Tarciso, o flecha Negra. Com 8 pontos aquela altura o Grêmio encaminhava já a classificação e as derrotas que vieram a seguir não abalaram as estruturas.

Em São Paulo perdeu para a Portuguesa por 1 a 0 e depois no Olimpico perdeu para o Brasília por 2 a 1. Entre os dois jogos uma vitória contra o Botafogo no Rio de Janeiro. Esse jogo contra o Botafogo foi no Maracanã e o Baltazar fez os 3 gols da vitória por 3-2 antes mesmo dos 30 minutos do primeiro tempo.

Hat trick. Triplete. Pede a música no Fantástico.

O tricolor ainda perdeu o jogo contra o Operário em Campo Grande no famoso estádio MORENÃO. O 2-1 contra não abalou o time que no dia 08 de março voltaria a campo já pela segunda fase do Brasileirão de 1981.

A segunda fase do campeonato eram mais 8 grupos com 4 times em cada grupo. Classificariam os dois primeiros para começar o mata-mata das oitavas de final. O Grêmio ficou no grupo E com São Paulo, Inter de Limeira e Fortaleza.

Na estreia da segunda fase fomos ao Morumbi e tomamos o famoso SACODE. 3-0 para o tricolor paulista, fora o baile. Mal podiam esperar pelo troco que ainda estava por vir.

Ganhamos do Fortaleza por 2-1 e da Inter de Limeira por 3-1 na sequência das rodadas. Baltazar marcou outro gol contra a equipe cearense no Estádio Olímpico. Na partida seguinte, recebemos o São Paulo e vitória por 1-0 com gol da estrela: Baltazar.

Fomos a Fortaleza ganhar de 4 a 0 da equipe local e depois ganhamos da Inter de Limeira em casa por 1-0 a classificação para as oitavas de final estava garantida.

Pelo rankeamento o Grêmio encarou o Vitória no primeiro confronto do mata-mata. O primeiro jogo em 09 de abril em Salvador e a equipe baiana venceu a partida por 2-1. Tarciso fez o gol tricolor que garantiu uma sobrevida para o confronto da volta no Estádio Olímpico.

Na volta, o Olímpico estava cheio com mais de 30 mil pessoas e a vitória sobre o Vitória veio até com certa tranquilidade. O tricolor abriu o placar logo aos 6 minutos com Paulo Isidoro e controlou a partida. O segundo e derradeiro gol veio aos 3 minutos da segunda etapa com Tarciso. Classificação para as quartas-de-final garantida.

Na fase seguinte o Grêmio teria o Operário novamente pela frente. Dessa vez com o primeiro confronto em casa. Tarciso e Vilson Taddei fizeram os gols da vitória tricolor por 2-0 construindo uma boa vantagem para o confronto da volta. Apenas 4 dias depois do primeiro jogo, em 19 de abril, o Operário recebia o Grêmio no MORENÃO e não foi páreo para o artilheiro tricolor. Baltazar marcou o gol da vitória que classificou o Grêmio para as semi-finais do Brasileirão.

A semi final era contra a sensação paulista: Ponte Preta. A equipe campinense considera até hoje o ano de 1981 como o “ano de ouro” do clube. Conquistou alguns títulos e chegou até a semi-final do Brasileirão, seu melhor resultado. Mas nada como enfrentar o Grêmio para acabar com os sonhos de qualquer um.

O tricolor visitou o Estádio Moisés Lucarelli no primeiro confronto e saiu de lá com uma vitória de 3-2. Tarciso, Paulo Isidoro e Vilson Taddei fizeram os gols do Grêmio. O jogo foi encrespado e o tricolor virou a partida após sair perdendo logo no início. A vitória trouxe uma vantagem considerável para o confronto decisivo no Estádio Olímpico.

26 de abril de 1981 e um público oficial de 98 MIL PESSOAS. Isso mesmo. Oficialmente naquele dia em Porto Alegre tinham 98 mil pessoas dentro do Estádio Olímpico.

O fato é que o tricolor estava nervoso e o jogo não saiu como a torcida imaginava. Vamos tocar aquela cornetinha aqui: O que devia ter de pé-frio nesse dia não estava no mapa. Aos 20′ do primeiro tempo, Osvaldo abriu o placar para a Ponte Preta e um silêncio preocupante tomou conta do concreto do saudoso Olímpico.

A expectativa para uma final inédita, o estádio abarrotado de gente e o revés logo no começo da partida enervaram de vez os jogadores. Só dava Ponte Preta. Nem a bronca do técnico Ênio Andrade no intervalo, pedindo um time mais leve e menos nervoso, surtira efeito.

Foi com Hugo De León, quem diria, zagueiro e capitão, de autoridade indiscutível e qualidade superior. O uruguaio tentou tirar a bola de perto da área, aparar um cruzamento. O chute, traiçoeiro, tomou o efeito contrário, quase decidido a manter o sonho azul de um título nacional confinado nos porões do Olímpico.

Mas Leão saltou como um gato, buscou a bola no ângulo e salvou o gol de uma provável eliminação catastrófica.

Quando o árbitro da partida trilou o apito final, a derrota pouco importava. O Grêmio estava pela primeira vez na final do Campeonato Brasileiro e com uma vaga garantida na Libertadores do ano seguinte.

Quis o destino que o confronto final fosse contra o São Paulo, ao qual o Grêmio já havia enfrentado na fase de grupos. A derrota de 3-0 no Morumbi na segunda fase tinha doído e o estádio são paulino seria o palco da finalíssima. O Grêmio teria que fazer lá em São Paulo o que não tinha feito antes.

No dia 30 de abril de 1981 o Estádio Olímpico recebeu 61 mil pessoas para acompanhar o primeiro jogo da final do Brasileirão. A trupe tricolor era forte. Leão no gol, De Leon, Casemiro, China, Paulo Isidora, Tarciso e Baltazar tocando o terror dentro de campo. Do outro lado um São Paulo com várias estrelas. Waldir Peres, Dario Pereyra, Serginho Chulapa. Na arbitragem do jogo: A regra é clara. Arnaldo Cesar Coelho. Nada mais do que um grande jogo se esperava. E foi.

O São Paulo abriu o placar aos 39 minutos com o artilheiro Serginho Chulapa após o Grêmio ter perdido um pênalti. Baltazar desperdiçou a oportunidade de abrir o placar e o Grêmio se atirou a buscar o resultado positivo. E veio.

Paulo Isidoro se iluminou e fez os dois gols da vitória por 2-1. Os dois gols contaram um pouco com a sorte, mas como diz o ditado: a sorte ajuda quem cedo madruga… ou algo que o valha.

Assim como na segunda fase, o Grêmio venceu o São Paulo em casa. Só que dessa vez teríamos o confronto da volta para somente decidir o título do Brasileirão de 81. E o Morumbi seria o primeiro dos grandes palcos brasileiros a se curvarem ao tamanho do Grêmio.

A data era 03 de maio de 1981 e o Morumbi recebeu 95 mil pessoas. Muitos torcedores do Grêmio lotaram o espaço da torcida visitante e puderam acompanhar de perto um jogo tenso, difícil e com doses de desespero. O São Paulo era considerado o favorito por jogar em casa com suas estrelas, mas o Grêmio tinha um time aguerrido e forte.

Teve muita pressão do São Paulo para tentar dominar a partida e abrir o marcador, mas a defesa gremista foi sólida e Leão e Hugo De León estavam inspirados naquela tarde. Aliás, não só eles. Baltazar, o artilheiro de deus, também estava inspirado e fez o gol mais importante da sua história no tricolor. O gol do título. E não foi qualquer gol. Domínio no peito, chute no ângulo. Gol de placa. Para calar o Morumbi. Para inaugurar os feitos tricolores por estádios no brasil e no mundo afora.

O título tricolor veio para dar início ao crescimento do clube como um dos grandes do país. Para colocar no mapa o Grêmio de Football Porto Alegrense pro resto do país ver. Veio para dar início a uma era de títulos e conquistas importantes. O Brasileirão de 1981 foi o primeiro do Grêmio grandioso.

Com jogadores que marcaram a época, de relevância e de muita honra vestindo o manto tricolor, impusemos um modo de ganhar, uma estirpe copera. O Grêmio vencedor que tanto cobramos aqui. 

E esse MBG.Doc relembra 40 anos atrás para deixar registrado na nossa história mais esse momento do clube que amamos. E que sonhamos rever erguendo a taça do Brasileirão novamente esse ano.

Todo grande clube possui momentos definidores de trajetória, estilo e de torcedores. O Grêmio teve um dos vários grandes momentos no ano de 1981 com seu primeiro título nacional. O torcedor gremista não imaginava que essa era apenas uma pequena alegria que aquele esquadrão iria dar e que em um futuro breve iria alcançar voos maiores ainda. A ressaca da manhã de 04 de maio de 1981 se justificava, os torcedores estavam em êxtase e em justificada emoção. Atenção Brasil, aqui é Grêmio.


Pesquisa, texto e roteiro: Gabriel Pinto e Fane Webber / Locução: Fane Webber e Márcio Paz / Edição: Fane Webber / Produção: Equipe do Mesa de Bar do Grêmio.

MBG.Doc – Que Pedazo de Gol

O MBG.Doc é um programa do Mesa de Bar do Grêmio que traz a história do tricolor no formato de podcast. 

E no programa de hoje vamos falar de uma lenda recente. Um ícone que deixou marcado o seu nome no rol de grandes jogadores do clube. Um craque que nos deu o título mais cobiçado pelo torcedor gremista e alcançou o patamar de Rei da América.

Essa é a campanha “Que Pedazo de Gol”.

Luan Guilherme de Jesus Vieira, conhecido apenas como Luan. Ou, nos nossos corações idealizadores: Luanel Messi.

Nascido em São Paulo no ano de 1993, Luan começou a carreira em um clube pequeno do interior paulista e ganhou destaque na Copa São Paulo de Futebol Jr jogando pelo América de São Paulo. Na competição fez 6 gols, sendo um deles no empate com o Flamengo que eliminou o gigante clube carioca da competição. Luan já estava predestinado a crescer nos momentos decisivos.

Luan chegou nas categorias de base do tricolor em 2013 e no ano de 2014 já estava evoluindo e chegando ao elenco profissional. Talvez pressionado pelo fato do Grêmio estar sedento por um título e carente de bons jogadores, ao ver que o jogador tinha um talento especial, já avançou no processo.

Sua estreia com a camisa tricolor foi no dia 19 de janeiro de 2014 no jogo contra o São José no Passo D’areia em Porto Alegre. O Grêmio saiu derrotado nessa partida sob um calor de 39º. 10 dias depois da estreia, Luan jogou contra o Brasil no Bento Freitas em Pelotas e marcou seu primeiro dos 77 gols com a camisa do Grêmio.

MBG.Doc - Que Pedazo de Gol
Foto: Lucas Uebel

O ano de 2014, num processo de evolução do time e do próprio jogador, ainda pudemos ver Luan marcar mais 8 gols na temporada, totalizando 9 e sendo o vice-artilheiro daquela temporada. Luan, um meia-atacante, já mostrava uma de suas característica fundamentais. Estava fadado a ser artilheiro.

Outro fato marcante da temporada de estreia do nosso “menino de ouro” foi o GREnal 403 na Arena. O Grêmio vinha de uma sequência de 2 anos sem ganhar do inter e no aniversário do então técnico Felipão, aplicamos uma sonora goleada no rival. 4 a 1, fora o baile.

Luan, já com faro de gol, abriu o placar na goleada tipicamente como centro-avante, aproveitando um passe cruzado na pequena área adversária. Além do gol, nosso meia-atacante também deu a assistência para o gol do Ramiro, o segundo da goleada.

A história estava começando a ser escrita.

Veio 2015 e a chegada de Roger no comando técnico talvez tenha sido fundamental para a evolução do clube como um todo e principalmente dentro de campo. Nessa temporada Luan fez 18 gols em 58 partidas e cada vez mais víamos um jogador capaz de controlar o jogo no meio, bem como ser fundamental no ataque.

Nessa temporada também não veio o título tão desejado pelo tricolor, mas a história estava nos propiciando momentos fantásticos contra o maior rival e vamos listar aqui 5 motivos pra isso:

Giuliano, Luan, Luan, Fernandinho e Rever (contra).

A data era 09 de agosto de 2015 e o Grêmio já dava mostras de um futebol que viria a ser exuberante nos próximos dois anos. Patrolar o rival foi mais uma amostra do que aquele Grêmio viria a fazer e do que Luan foi capaz de fazer também.

E aí, chegamos em 2016. Um capítulo à parte na história tricolor. A pressão cada vez maior sobre o clube para conquistar um campeonato e nossa esperança vinha de jogadores não tão renomados, algumas dúvidas mas uma certeza: Luan.

Nessa temporada, Luan começou mal, assim como o Grêmio de Roger. Tivemos o famoso dia das pipocas no treino. Um bando de idiota se deslocou até o CT para jogar PIPOCA no Luan e em outros jogadores. Se arrependimento matasse, hein?

Foto: Lucas Uebel

Luan já figurava nas convocações para a Seleção Olímpica Brasileira que viria a disputar os jogos do Rio 2016. E apesar de ser um nome constante, iniciou a competição internacional no banco de reservas. Mas o Brasil vinha jogando mal e até a imprensa questionava o porquê de um jogador tão promissor ser pouco aproveitado.

Eis que na última rodada da primeira fase da competição, o treinador Rogério Micale pressionado se viu obrigado a colocar Luan para jogar. E aí, a história foi feita com o Brasil conquistando pela primeira vez a medalha de ouro no futebol. Luan entrava para a história da camisa amarela e estava prestes a entrar pra história da camisa tricolor.

Para quem acompanha o Mesa de Bar do Grêmio há mais tempo, sabe que nas últimas temporadas nós fizemos a escolha do gol tricolor mais bonito do ano ao final da temporada. E o nome desse Prêmio é uma homenagem ao jogador: Prêmio Luan de Gol Mais Bonito.

Esse nome veio pelo golaço que o jogador fez na partida contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil. O Mineirão foi palco da pintura na semi-final que o Grêmio venceu por 2 a 0 e encaminhou a classificação para a final da Copa que viria a conquistar.

Aquele foi o gol solitário do jogador na competição, mas o nível de excelência que ele e o time mostraram ao final, já vale o prêmio. Não podemos deixar de lembrar que o Grêmio passou por momentos conturbados na metade da temporada, fazendo com que o Roger deixasse o comando técnico para assumir o nosso ídolo Renato.

Na temporada de 2016, a menos artilheira, Luan fez 12 gols, mas a contribuição para os títulos dos jogos olímpicos com a seleção e a Copa do Brasil com o Grêmio glorificaram a temporada.

Não dá para falar de Luan e não lembrar do “reizinho”. O Rei da América. O Grêmio buscou a sua glória máxima e a campanha da Libertadores 2017 foi extraordinária. Um Grêmio envolvente, brilhante, cascudo, catimbeiro e marcante.

Luan foi um pouco de tudo isso durante a temporada que culminou naquele 29 de Novembro no estádio Ciudad de Lanús.

Mas o que é bom a gente deixa pro final. Então me permitam avançar um pouco na história.

Enfrentar o Real Madrid e CR7 talvez nunca tenha passado pela cabeça do menino do interior de São Paulo, mas o fato é que o menino Luan esteve lá. O Mundial de Clubes não teve o desfecho dos sonhos mas inegável que a experiência é valiosíssima e até isso pudemos disfrutar como torcedores tricolores. CR7 contra o nosso Luanel Messi.

Foto: Lucas Uebel

Após isso, uma lesão que já insistia em aparecer, começou a perturbar mais o jogador. Antes do declínio técnico e físico, Luan ainda levantou a Recopa Sulamericana de 2018 em dois jogos contra o Independiente. Adivinha quem fez o gol lá em Avellaneda? Ele mesmo. O reizinho.

Na temporada de 2018, Luan ajudou o Grêmio a chegar na semi-final da Libertadores novamente. Jogos duríssimos contra o River Plate mas que Luan estava lesionado e não pode participar. Ainda assim, na temporada foram 11 gols em 40 jogos do camisa 7.

No ano seguinte, o derradeiro ponto final. A temporada de 2019 não se desenhou muito bem e ainda assim Luan contribuiu demais ao Grêmio enquanto pode. Foram mais 9 gols em 36 jogos naquele ano e mais uma semi-final de Libertadores. Dessa vez contra o Flamengo e por causa da lesão, Luan jogou a primeira partida “meio campenga” e não esteve em campo no fatídico jogo do Maracanã.

O ato final do “reizinho” como grande jogador do Grêmio foi ter alcançado o número de gols de Renato Portaluppi. Na vitória contra o Atlético PR na Arena, Luan fez um dos gols e chegou ao de número 75 com a camisa tricolor, deixando para trás o técnico gremista que tem 74.

Deu tempo dele marcar mais dois ainda naquele ano. Contra o Santos na Vila Belmiro e na goleada sobre o Avaí na Arena no dia 29 de setembro. Depois disso, Luan ficou entre reserva e lesão, frustração e tristeza e um desfecho de certa forma até melancólico já que não fez uma despedida oficial até ser negociado com o Corinthians e deixar o tricolor ao fim de 2019.


Como não terminar contando a história de Luan no Grêmio sem um final feliz? Não dá. É impossível. A alegria que eles nos deu em campo não tem preço.

Na Libertadores 2017 foi um dos artilheiros fazendo 8 gols na competição sendo eleito o craque da Copa. Fez gol contra o Zamora fora e em casa, fez dois gols contra o Deportes Iquique e também fez dois gols contra o Barcelona de Guayaquil na semi-final. Mas o melhor sempre fica para o fim.

“Que pedazo de gol” ficou imortalizado na narração de Walter Nelson da Rádio La Red, da Argentina . Luan fez um dos gols mais bonitos da história da Libertadores e numa final. Fora de casa. Se isso não é craque, meus amigos. Eu não sei mais o que é. Essa temporada de 2017 foi a mais artilheira do Luan. Fez 18 gols em 52 jogos e toda vez que eu falo aqui em quantidade de gols eu fico impressionado como um jogador que é meio-campista consegue ser tão artilheiro.

Não dá para negar que o grupo que o Grêmio montou em conjunto com um time bem organizado fez com que as individualidades se destacassem. Assim como outros jogadores surgiram da base e outros que vieram contribuíram muito para a conquista da taça, um time sempre tem um craque que represente aquele momento. E naquele momento, o craque era o Luan.

O jornal uruguaio El País elege todo ano o “Rei da América”, prêmio tradicional concedido ao melhor jogador da América do Sul. No dia 28/02/18 o Grêmio foi ao Uruguai jogar na estreia da Libertadores daquele ano, mas Luan foi para algo maior. Receber em mãos o prêmio de Rei da América.

Sem o coletivo talvez não estivéssemos fazendo aqui esse MBG.Doc de um jogador. Mas com um bom coletivo, o craque sempre desponta. E nessas 6 temporadas que o Luan esteve vestindo com muita honra a camiseta tricolor, nós pudemos acompanhar a história diante dos nossos olhos e aproveitamos momentos de glórias com títulos e vitórias incríveis contra o nosso rival.

Luan é para o torcedor gremista uma lenda, um craque, um Rei.



O MBG.doc teve pesquisa e locução de Gabriel Pinto. Sonoplastia e pesquisa adicional de Fane Webber. Os gols que ouvimos ao longo do episódio tiveram as narrações de Luiz Augusto Alano, Pedro Ernesto Denardin, Cristiano Oliveski, Galvão Bueno, Nivaldo Prieto, Luis Carlos Jr. e Walter Nelson. O projeto é apoiado pelos Padrinhos do MBG.

MBG.Doc 01 – Luiz Leão Carvalho

Mais uma novidade no Mesa de Bar do Grêmio: O Podcast MBG.Doc.

Nesse novo programa vamos trazer recortes históricos sobre os personagens, as histórias, contos e curiosidades das lendas tricolores. Nesse primeiro episódio vamos falar de Luiz Leão de Carvalho, o “Rei da Virada”.

Luiz Leão de Carvalho foi um futebolista, treinador e presidente do Grêmio Football Portoalegrense.

MBG.Doc - Luiz Leão Carvalho
Foto: Arquivo Grêmio

Sua história no Grêmio começou nos seus 15 anos. Aluno do Colégio Militar de Porto Alegre, se destacava nos campos em frente a instituição, onde hoje é o Parque Farroupilha, e foi notado pelo General João de Deus Saraiva que o indicou para ao Grêmio, mesmo com um porte físico diferente do habitual para a posição de center-foward, como era chamado o centro avante na época, no ano de 1923.

A virada merece uma explicação por si só, já que Luiz ficou conhecido como “O Rei da Virada” por conta dessa jogada característica. Jogava de costas para a zaga e para o gol adversário. Quando recebia o passe, fazia a virada e chutava a gol.

MBG.Doc - Luiz Leão Carvalho
Foto: Arquivo Grêmio

Para conhecer mais da história desta lenda tricolor, ouça o podcast. Comente e espalhe a palavra do MBG.

Mesa de Bar do Grêmio #336

Falaaaa galera tricolor!

Edição completa do MBG chegando com Rodrigo de Azevedo, Fane Webber, Gabriel Pinto e Anderson Kegler.

Na pauta desse programa tem tudo sobre o GREnal da final do segundo turno. Comentários pertinentes sobre a grande vitória e também sobre a despedida do Éverton.

Ainda falamos de Gauchão, da estreia do Brasileirão e aquela corneta final de despedida do André.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.