MBG Live #22 – Maicon, Brasileirão e Copa do Brasil

Saudações tricolores!

No programa da semana, Gabriel Pinto, Anderson Kegler, Fane Webber e Rodrigo Azevedo fazem suas despedidas para o Maicon, debatem a vitória e evolução tricolor no Brasileirão e por fim comentários acerca do confronto da volta contra o Flamengo pela Copa do Brasil.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Drops #81

É na base do ódio!

O MBG faz podcast há 10 anos e já passamos por tudo que o Grêmio nos propiciou nesse período todo. Exceto isso que passamos agora. O FIASCO em sequência. A HUMILHAÇÃO como rotina.

Fane Webber, Gabriel Pinto e Anderson Kegler exercitam o músculo forte do torcedor: a corneta. Na pauta mais uma derrota fiasquenta para o Flamengo com dedos em riste apontados para os culpados.

Vamos na base do ódio escutar e espalhar a palavra do MBG.

MBG Live #20 – Brasileirão e Copa do Brasil

Saudações tricolores!

No MBG Live dessa semana, Gabriel Pinto, Anderson Kegler e Rodrigo Azevedo debatem a sequência de vitórias do tricolor no Brasileirão e a tentativa de fuga da zona do rebaixamento.

Na pauta também o primeiro confronto contra o Flamengo pela Copa do Brasil. O que esperar do primeiro jogo contra o Renato e como a equipe gremista deve se comportar no jogo da ida.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

Mesa de Bar do Grêmio #344

Há 10 anos o podcast Mesa de Bar do Grêmio estreava nas plataformas de áudio disponíveis quando tudo ainda era mato.

Tendo como um dos idealizadores Fane Webber, que trouxe a ideia no novo formato e está até hoje colaborando com o projeto. Gabriel Pinto e Anderson Kegler estrearam logo nos primeiros episódios e até hoje fomentam a corneta no programa. E por fim, Rodrigo Azevedo, alçado de comentarista a âncora e posteriormente a sócio do projeto.

O podcast Mesa de Bar do Grêmio chega hoje a sua edição de número 344 para falar exclusivamente desses 10 anos vivendo a vida do Grêmio tal qual somos torcedores do nosso tricolor. Para alavancar a pauta desse especial de aniversário, criamos a campanha “O último 10” para lembrar e registrar na nossa história os camisas 10 tricolor. Cada um dos sócios trouxe um texto especial para o seu “10” escolhido:

Gabriel Pinto sobre Douglas, o Maestro –
https://mesadebardogremio.com.br/o-ultimo-10-douglas/

Anderson Kegler sobre Ronaldinho, o Gaúcho –
https://mesadebardogremio.com.br/o-ultimo-10-ronaldinho-gaucho/

Rodrigo Azevedo sobre Carlos Miguel –
https://mesadebardogremio.com.br/o-ultimo-10-carlos-miguel/

Fane Webber sobre Tcheco –
https://mesadebardogremio.com.br/o-ultimo-10-tcheco/

Nessa edição do podcast vamos trazer para o debate um pouco de cada um dos 10 tricolores descritos pelos sócios, mas também elencar outros jogadores que vestiram a 10 e praticaram bom (ou não) futebol com o manto tricolor.

Embarque nessa jornada futebolística e saudosista do Mesa de Bar do Grêmio, ouça, comente e espalhe a palavra do primeiro podcast da torcida tricolor.

MBG Drops #80 – Brasileirão e estreia de Borja

Feitoria!

MBG Drops da semana para falar da vitória contra a Chapecoense no Brasileirão, a estreia de Borja na centro-avância e já marcando gol. Na pauta a sequência do campeonato e a possível saída da zona de rebaixamento.

Fane Webber, Gabriel Pinto, Rodrigo Azevedo, Felipe Nabinger e Christian Rafael deixam seus comentários abalisados sobre o momento tricolor.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

O último 10 – Tcheco

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Fane Webber escreve sobre Tcheco.


O ano era 2006. 

Um ano agradável para os gremistas, que estavam se sentindo mais aliviados (e até eufóricos) com o título da série B do ano anterior. A batalha dos aflitos deu um ânimo inimaginável ao torcedor, algo realmente difícil de explicar para quem não viveu aquele momento. E no ano seguinte, em seu local de direito na série A do campeonato brasileiro, o Grêmio reforçava seu elenco. 

Foi das arábias que veio Anderson Simas Luciano, o Tcheco

O último 10 - Tcheco

O camisa 10 gremista não chegou no estádio Olímpico de tapete voador ou coisa que valha, mas marcou por algumas mágicas partidas que fez pelo Grêmio. Tanto que o carinho da torcida dura até hoje por causa da honra e dedicação que ele teve em campo. É impossível falar da camisa 10, ainda mais dos últimos 20 anos, e não lembrar dele. 

Como não se apaixonar pelo Tcheco? A história da sua estreia com a camisa do Grêmio já mostra a personalidade e o caráter dele como jogador. Em 2006 o Grêmio iria jogar contra o Veranópolis e tinha dez desfalques no elenco por conta da confusão da Batalha dos Aflitos, no ano anterior. Recém chegado no clube, o jogador estava treinando forte enquanto seu nome não saía no BID. Exausto após longas sessões de treino, o técnico Mano Menezes anunciou sua liberação pela CBF e que o jogador iria ficar no banco de reservas. A justificativa era apenas para completar o número de jogadores no banco. Foi então que durante o jogo, que estava empatado, o técnico gremista resolveu que seria a estreia do novo reforço e Tcheco não decepcionou. Mesmo cansado marcou um gol e deu uma assistência – cruzamento de escanteio – para outro, foi assim que o Grêmio venceu o Veranópolis fora de casa por 1×4. Esse foi o Tcheco no tricolor, mesmo cansado estava disponível para jogar pelo clube.

Essa sua personalidade e liderança era tão visível que praticamente transbordava até as arquibancadas do Olímpico. A torcida entendeu Tcheco e Tcheco, por sua vez, entendeu a torcida. Grandes foram seus momentos pelo clube, mesmo que os títulos sejam todos em âmbito regional. Um desses momentos foi a Libertadores de 2007. Quero lembrar a vocês aquele que ilustra esse texto, a foto clássica de Tcheco com os braços abertos com um dos uniformes mais legais do Tricolor.

Uma falta na lateral do campo, bola cruzada na área e sobra para o capitão que bate nela de peito de pé. Surpreendendo o (chato) Rogério Ceni, goleiro são-paulino. Tcheco corre em direção a geral com os braços abertos, um preto e outro azul com a braçadeira de capitão. Grita com garra, aos 15 do primeiro tempo, igualando a partida do revés no jogo anterior. O Grêmio, que perdeu no Morumbi por 1×0, venceu no Olímpico por 2×0 e passou a ser um dos favoritos.

Essa Libertadores foi um retardo.

Me desculpem os que não gostam dessa terminologia, mas a criatividade dos adjetivos me falta e a verdade é que chegar a final da principal competição da América do Sul apenas dois anos depois de um rebaixamento (e com a mesma comissão técnica) é completamente fora da realidade. E tudo bem que ficamos putos da cara que não conseguimos levar o caneco, mas a real é que agora, mais de dez anos depois, começo a pensar nessa competição com a cabeça mais fria. Porque para o gremista, mesmo com a derrota para o Boca Juniors no jogo de ida, ainda parecia possível. Não era uma questão de apenas um “eu acredito” nas comunidades do falecido Orkut ou coisa que valha. É que a torcida e a equipe gremista estava tão afinada que os DEUSES DO FUTEBOL devem se arrepender até hoje não ter proporcionado algo melhor para aquele elenco em que o nosso camisa dez foi capitão.

Representou muito com a camiseta do Grêmio porque entendeu a maneira como aquele time poderia render. Que aceitou e abraçou a pressão da torcida.

Depois de 2006-07, Tcheco ainda viveu outro biênio no Grêmio: 2008-09. O capitão gremista voltou na metade do ano de 2008 liberado pelo Al-Ittihad e podendo jogar graças a uma liberação legal na justiça desportiva.

Outro gol que eu gosto muito do Tcheco foi um feito no Palmeiras em 2008, quando o Grêmio disputava o Brasileirão e chegou a ser líder por boa parte do campeonato. Uma falta de dois toques na lateral do campo, o capitão conduz ela um pouco e arrisca um cruzamento estranho que ninguém encosta e entra no gol surpreendendo todos! Esse gol tirou o Palmeiras da disputa do título e também foi um daqueles gols mais ‘Tchecos” que teve. Confira aqui abaixo:

Tcheco merecia sorte melhor no Grêmio quando o assunto é títulos, esse brasileiro de 2008 ele amargou o segundo lugar novamente. Um campeonato difícil e cheio de equipes boas. O já mencionado Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e o campeão São Paulo. Passamos perto demais.

Para descontrair o final desse texto, gosto de lembrar do nosso capitão como o BOCA DE BURRO. Esse era o nome usado por Tcheco em partidas online no seu XBOX 360. O jogo é Ghost Recon Advanced Warfighter 2, sim um nome gigantesco. E o “Boca de Burro” jogava online com seu parceiro “Cangaceiro”, que era Souza, outro meia gremista.

Nos dez anos do Mesa de Bar do Grêmio, não tivemos a honra de falar sobre o Tcheco, além dos comentários lembrando da suas passagens. Quando lembrado, ele sempre recebeu tratamento exemplar do programa: Foi muito elogiado e também fortemente corneteado. Receber corneta do MBG certamente é um título que Tcheco não deixou passar.

Tcheco foi um gremista em campo que merece ser lembrado sempre!

O último 10 – Carlos Miguel

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Rodrigo Azevedo escreve sobre Carlos Miguel.


O último10 - Carlos Miguel

Às vezes se fala que Grêmio multicampeão dos anos 90 era um time que jogava por um gol e era retranqueiro. Alguns desavisados ou esquecidos até contestam a qualidade técnica daquele time. Mas essas teorias e falácias facilmente caem por terra quando lembramos de vitórias elásticas como o 5×0 contra o Palmeiras ou o 3×1 contra o Nacional de Medellín, ambas na Libertadores de 95. Mas em outros momentos, não precisamos nem falar de placares. Basta lembrar de alguns jogadores daquele esquadrão para termos certeza que havia qualidade sim. E muita qualidade.

O camisa 10 daquele elenco era um volante. Emerson, campeoníssimo no Grêmio e na Europa. Mas não é dele que vamos falar. Mesmo porque ele foi reserva em 95, principal ano daquela geração. Reserva de luxo, é verdade, mas ainda um reserva.

E quando falamos do conceito de camisa 10, falamos de um titular absoluto, referência técnica da equipe. Aquele meia ofensivo, habilidoso, que chega no ataque, que dá assistência, pifa o companheiro e lógico, que faz gol! E quem tinha todas essas habilidades de forma incontestável naquele time usava a camisa 11: Carlos Miguel.

Rápido, habilidoso, passe preciso, sabia bater na bola, cobrava escanteio e batia falta. Só não cabeceava, mas pra isso tínhamos Nildo e Jardel. Miguelito, como era carinhosamente chamado pela torcida, além de tudo isso era predestinado a brilhar com a camisa tricolor. Vocês vão entender o que quero dizer.

Carlos Miguel da Silva Júnior, Gaúcho de Bento Gonçalves na serra gaúcha, foi da base do Grêmio como outros jogadores que também estrelaram esse clássico elenco dos anos 90. Ele fez parte do time vice-campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 1991, melhor classificação do Grêmio nesta competição até hoje.

Foi promovido aos profissionais em 1992 e já em 1993, chegada do técnico Felipão, virou destaque, passou a figurar como titular e veio o primeiro título: Campeão Gaúcho. Coincidentemente o ano que comecei a frequentar o saudoso estádio Olímpico.

Em 1994, já titular absoluto, foi fundamental para a conquista da Copa do Brasil. Não só pela participação em toda campanha, mas principalmente no segundo jogo da final, pois o gol do título partiu dos pés dele. Cobrador de escanteios do time nos anos que vestiu a camiseta tricolor, foi dele a cobrança precisa que encontrou Nildo na área naquela final no Estádio Olímpico. E eu lembro com muito carinho daquela noite, pois foi o primeiro título que assisti no estádio.

Em 1995, com a chegada de reforços para a Libertadores, Carlos Miguel fez parte do time mais famoso daquela geração. A escalação era: Danrlei, Arce, Rivarola, Adilson e Roger; Dinho, Goiano, Arilson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel. Até rimava. E realmente jogavam como música. Carlos Miguel fazia uma dupla muito entrosada no meio campo com Arilson e eram os responsáveis por levar a bola ao ataque. Tenho até hoje em minha memória: noite fria de libertadores, fumaça dos sinalizadores em campo, torcida pulsando e eu piá nas arquibancadas do Olímpico, tentando entender como ele conseguia fazer passes e triangulações com tanta facilidade e agilidade! Eram passes de primeira, dribles e lançamentos diferenciados! Dignos de um camisa 10.

Dias antes de disputar as finais da Libertadores de 95, o Grêmio jogou dois jogos contra o Inter pelas finais do Gauchão. No primeiro jogo 1×1 no Beira Rio. O segundo jogo, no Olímpico, também estava 1×1 e adivinha quem fez o gol do título? Ele mesmo Carlos Miguel.

O time deste ano foi o que eternizou essa geração e levantou a taça Libertadores. Mas como nem tudo são flores, foi esse time que perdeu o único título que faltou na carreira do Carlos Miguel pelo Tricolor. O mundial interclubes. O Ajax de 95 era também a base da fortíssima seleção holandesa da época. E o Grêmio de Carlos Miguel enfrentou de igual para igual o jogo todo, mesmo jogando quase todo o segundo tempo com um jogador a menos. Aquele empate em 0x0 e derrota nos pênaltis certamente foram o golpe mais duro na sua carreira.

O ano de 1996 começou já com disputa de título. Naquele tempo a Recopa Sul Americana ainda era disputada em jogo único. Na ocasião o Grêmio, campeão da Libertadores 95 enfrentou o Independiente da Argentina, campeão da Supercopa 95. E Carlos Miguel brilhou mais uma vez. Uma não, três vezes. E de todas as formas possíveis: O jogo estava 1×1 e no final do primeiro tempo Carlos Miguel aproveita a falha do goleiro para fazer o segundo gol do Grêmio na partida. No segundo tempo é Carlos Miguel quem invade a área e sofre pênalti. O capitão América Adilson cobra o pênalti e faz o terceiro do Grêmio. E para finalizar, no fim do jogo é Carlos Miguel quem mais uma vez invade a área e desta vez cruza para o gol de Paulo Nunes, que fechou a goleada de 4×1 para o Grêmio e garantiu o para nós o título inédito da Recopa Sul Americana.

O segundo título conquistado em 1996 foi o Campeonato Gaúcho, o terceiro Gauchão de Carlos Miguel.

Ainda em 1996, o jogo que tenho na memória como sendo o mais emocionante e tenso que viví no Olímpico. O Grêmio enfrentava na final do campeonato Brasileiro o forte time da Portuguesa. Tínhamos perdido por 2×0 o primeiro jogo e precisávamos no mínimo igualar o placar em Porto Alegre (já que o Grêmio tinha melhor campanha no campeonato). O Grêmio havia aberto o placar logo no início do jogo com Paulo Nunes e pressionou o jogo inteiro atrás do segundo gol que não saía. O fim da história quase todo gremista conhece: Uma bola alçada na área da Portugueza, a zaga afasta mal e Aílton faz o gol do título no rebote. O que poucos se lembram é quem alçou essa bola na área. Ele mesmo: Carlos Miguel. Mais um título para o currículo.

O ano de 1997 fecha com chave de ouro essa geração vencedora da qual Carlos Miguel fez parte do início ao fim. Felipão já não era mais o técnico. Mas o time que ele montou seguia copeiro e o Grêmio mais uma vez chegava à final da Copa do Brasil, desta vez contra o Flamengo que tinha no ataque nada menos que Sávio e o craque Romário. O primeiro jogo, no Olímpico, havia ficado no 0x0. O segundo jogo foi no Maracanã, com quase 100.000 pessoas. O Grêmio tinha aberto o placar com João Antônio logo aos 6 minutos, mas o Flamengo virou ainda no primeiro tempo, com o segundo sendo marcado por Romário.

Mas uma característica daquele Grêmio era não se entregar. O segundo tempo foi brigado até o fim. E assim como a Copa do Brasil de 1994 abriu essa fase vitoriosa com a participação de Carlos Miguel no gol do título, a Copa do Brasil de 1997 encerrava este ciclo também com a Participação dele no gol do título, mas dessa vez não com assistência e sim marcando o gol, como um centroavante, dentro da pequena área, aparando um cruzamento de Roger, colocando a bola no fundo do gol e calando o Maracanã.

Carlos Miguel saiu do Grêmio ainda em 1997 para jogar no Sporting Lisboa, mas não se adaptou à Portugal. Retornou ao Brasil em 1998 para jogar no São Paulo, onde foi bicampeão paulista e campeão do torneio Rio-São Paulo. Essa boa passagem lhe rendeu vaga na Seleção Brasileira que disputou a Copa das Confederações em 2001.

Mas como o ser humano é imperfeito, em 2002 ele jogou no nosso rival inter. Em 2003 e 2004 se redimiu, retornando ao Grêmio, mas escolheu uma péssima época, pois todos sabemos o que aconteceu com o tricolor em 2004. Miguelito finalmente encerrou sua carreira atuando pelo Corinthians de Alagoas entre 2005 e 2007. 

Certamente essa reta final não apaga todo o brilho da sua carreira.

Carlos Miguel é acima de tudo um vencedor, um predestinado. Dos 8 títulos vencidos com a camisa do Grêmio, participou de jogadas de gol em 5 decisões.

Carlos Miguel não usou a 10 do Grêmio, mas ele foi, como diria o grande narrador Sílvio Luiz: O craque da camisa número 11.

O último 10 – Ronaldinho Gaúcho

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Anderson Kegler escreve sobre Ronaldinho, o Gaúcho.


O último 10 - Ronaldinho Gaúcho

Ronaldo de Assis Moreira, o Ronaldinho Gaúcho, o maior craque que Rio Grande do Sul produziu e o melhor jogador brasileiro depois de Pelé.

Pode parecer um certo exagero, mas não é! R10 só não foi mais porque não quis, futebol tinha de sobra. Se perdeu na curva dos prazeres mundanos. E quem pode condená-lo?

Ronaldinho estreou no GRÊMIO em 1998 e logo se tornou o astro do time. Jogava fácil, driblava como nunca se havia visto por esses pagos, cobrava faltas com precisão! Tornou-se o terror dos adversários e o orgulho da torcida GREMISTA. Em um dos seus jogos mais emblemáticos com a camisa do GRÊMIO – a final do campeonato gaúcho de 1999 – R10 aposentou o grande capitão do Tetra, Dunga. As jogadas e o gol naquele jogo foram dignas de um gênio do futebol. Assistir ao chapéu que ele aplicou na partida pagou todas as entradas que eu já gastei assistindo infinitos pernas de pau que o GRÊMIO contrata.

E quem esquece que no jogo de inauguração de placar eletrônico do tradicional adversário, R10 acabou com o jogo e vencemos de 2×1? Sim, está lá escrito na história!

Era um camisa 10 clássico? Talvez, alguns podem alegar que ele era mais um ponta de lança ou meia-atacante, ou meia direita, ou meia esquerda… Aqui no GRÊMIO, ele usava a 10 e a honrava. 

Em uma bela manhã de sol R10 saiu do GRÊMIO.

E saiu de uma forma que causou tristeza, revolta, mágoa. Foi-se para o PSG. Mas aqui levanto uma questão que poucos debatem: R10 já era o melhor do mundo, como o foi durante toda a carreira, e seu salário não condizia, era obrigado a ver jogadores velhos e improdutivos ganhando até dez vezes mais do que ele. Essa é uma prática comum até hoje no GRÊMIO! Eu, vocês que me desculpem, creio que também iria.

Paris, euros, futebol de qualidade, vitrine para times maiores. Paris, só quem não conhece cogita ficar em Porto Alegre! Farei aqui uma conjectura: tu, um grande engenheiro, mas bom mesmo, o melhor, trabalhando em uma montadora aqui no RS, recebendo menos do que vários engenheiros piores que tu, improdutivos e de repente, não mais que de repente, a Renault te oferece uma vaga para ser o engenheiro chefe deles, me conta aí bonitinho: tu recusarias por amor a quem te deu o primeiro emprego? 

É óbvio que eu fiquei bem chateado na época. 

Nunca desgostei dele como jogador, sempre gostei de vê-lo jogar. Fez um Copa do Mundo espetacular em 2002. Mas eu não sou daqueles que fica idolatrando jogador de futebol, não espero mais do que aquilo que ele mostra em campo.

Sua volta para o Brasil encheu a torcida GREMISTA de expectativas. Não veio, preferiu o Flamengo, o que está bem, mas que não desse a entender que vinha. A torcida estava pronta para recebê-lo! Isso sim, pareceu má intenção.

Sei que esse não é o texto rancoroso e acusatório que muitos esperavam! Pensem bem, analisem, observem as direções gremistas ao longo dos anos, vejam as contratações, os jogadores que vieram e colocaram nossos jovens no banco, atrasaram por anos a titularidade de jogadores que depois se mostraram dignos da camiseta. Se tu tivesses o talento do R10, ficaria aqui esperando a boa vontade de quem não entende absolutamente nada de futebol para receber o que tu fazia jus em campo? Não esqueçam, futebol para o jogador é um emprego, ele vive disso. Paixão, eu_te_amo_GRÊMIO, faço tudo pelo meu time e outras hipérboles são ótimas para quem não depende do futebol para viver.

Que vocês me odeiem pelo texto, pelas frases, mas odeiem sabendo que o que eu disse é a verdade.

No mais, desafio alguém a não sorrir assistindo os dribles d’O bruxo pelo GRÊMIO, pela Seleção ou pelo Barcelona.


O último 10 – Douglas

O Mesa de Bar do Grêmio, para comemorar seu 10º aniversário, lança a campanha “O último 10” onde vamos trazer um texto de cada integrante sobre um camisa 10 diferente. Hoje, Gabriel Pinto escreve sobre Douglas, o Maestro.


O ultimo 10 - Douglas

“Desde que joguei no Criciúma tenho vontade de defender o Grêmio, é um sonho que se realiza.”

Foi com essa frase emblemática que Douglas dos Santos, o Douglas, estreou com a camisa 10 tricolor em 7 de fevereiro de 2010. O complexo esportivo da Ulbra foi o local que recebeu pela primeira vez um dos ícones do tricolor, seja pro bem, seja pro mal.

As duas passagens do jogador pelo Grêmio foram de muitas controvérsias. Houveram momentos ruins, tensos, de rusgas e até mesmo separações contundentes, mas os bons momentos, esses foram muito maiores e marcaram positivamente o craque da camisa 10.

Desde a estreia em 2010 até a despedida em 2018, Douglas disputou 253 jogos com a camisa tricolor e fez 45 gols. Mas mais do que gols, o camisa 10 deixou sua marca com muitas assistências e taça no armário. 

Na primeira passagem, de 2010 a 2012, o jogador ficou marcado pelo belo desempenho sob a batuta de Renato Portaluppi. Sob o comando do ídolo tricolor, o craque da camisa 10 colecionou bons momentos e grandes frases na época:

“”Craque comigo não marca, joga”. Foi com essa frase que o técnico Renato definiu a volta do bom futebol do meia Douglas no Grêmio.”

Tanto joga que foi convocado por Mano Menezes para a Seleção Brasileira e num amistoso contra a Argentina protagonizou outro lance bastante famoso. Num contra-ataque argentino, o microfone a beira de campo captou o então técnico canarinho proferindo palavras de carinho para o maestro tricolor, que havia perdido a bola no meio de campo.

Messi fez o gol e Douglas não voltou mais para a Seleção. Azar da amarelinha.

Por sua personalidade controversa, o meia começou um desgaste no Grêmio ainda no final de 2011 que acabou culminando na sua saída do clube no início da temporada de 2012. Sem querer renovar o contrato e com a chance de voltar para o Corinthians, onde havia sido campeão da Copa do Brasil em 2009, o maestro deixou as três cores de lado e voltou para São Paulo apenas com o título do Gauchão de 2010 conquistado no sul.

Após uma passagem vitoriosa por Corinthians e acabar indo para o Vasco na sequência, o maestro se viu numa fase ruim na carreira e nada melhor do que uma velha casa para se reencontrar.

O retorno aconteceu no início da temporada de 2015 com 32 anos na época, para ser novamente um “maestro” a frente de uma nova reformulação no tricolor. Primeiramente sob o comando de Felipão, o meia não se destacou tanto, mas quando Roger Machado assumiu o Grêmio, Douglas teve papel fundamental para a trajetória que culminou no título da Copa do Brasil em 2016.

Aquele Grêmio de 2015 para 2016 jogou o fino da bola sob a chancela do maestro pifador. Fazendo um papel mais de atacante, quem não se lembra daquele golaço no Brasileirão de 2015 contra o Atlético MG, em pleno Mineirão?

Apesar da temporada não ter terminado com títulos e em 2016 o início não ser tão promissor, no fundo, nós sabíamos que algo estava reservado para o maestro com a camisa do Grêmio.

“O Douglas é diferenciado, é um meia que todo treinador gostaria de ter. Poucos fazem a função que ele faz. Apesar dos 34 anos, foi importantíssimo na campanha. O grupo sente ele, tem total confiança nele. Procura ele em campo. Ele joga bonito, faz o time jogar bonito”, elogiou Renato Gaúcho.”

Se tem alguem com credencial para falar do Douglas, esse alguém é Renato. Já sob o comando do nosso ídolo, Douglas desfilou nos gramados com a camisa gremista e foi eleito o craque da Copa do Brasil de 2016. Só isso não seria suficiente sem o título, sem lavar a alma, sem ser o maestro que tanto queríamos para coroar aquele momento.

O Mineirão foi palco novamente de outro gol importantíssimo do maestro.

Mas tudo que é bom também chega ao fim. Depois de levantar a taça em 2016, a temporada seguinte começou já decretando um caminho sem volta para o final da carreira do maestro. Com uma lesão no ligamento do joelho logo no início de 2017, o jogador ficou quase 8 meses parados até ter a esperança de voltar a jogar, porém uma nova lesão o obrigou a uma outra cirurgia em outubro de 2017 e ali sim, o ciclo começava a se encerrar.

Em junho de 2018, após praticamente 1 ano e meio sem jogar bola, o maestro voltou a campo vestindo a tricolor. 

“A sensação é maravilhosa. Depois de 500 dias sem poder jogar pude voltar e entrar em campo, fazer o que eu gosto, e é muito bom. Estou tentando desfrutar da melhor maneira possível.”

E por mais que a volta dele não tenha sido no melhor momento tricolor, a torcida ainda nutria alguma esperança de vê-lo fazer a diferença para o Grêmio naquele ano, que ainda viria a chegar na semi-final da Libertadores. O jogador contribuiu pouco naquele final de ano e o próprio time já rendia bem sem Douglas. Com 34 anos e com dúvidas sobre a sua melhor forma física, o Grêmio decidiu por não renovar o contrato do maestro ao fim da temporada e a despedida foi justamente contra o Corínthians, clube que o maestro também se destacou.

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Douglas vestiu a camisa do Grêmio em 243 oportunidades e marcou 44 gols. Incontáveis assistências, jogadas de craque, lançamentos perfeitos, dribles desconcertantes. Teve lampejos de Messi e marcou a passagem na seleção contra o Messi. Deu carrinho como a torcida gostava e vibrou quando precisou. Xingou, cornetou, discutiu e amou o Grêmio.

Nunca esqueceremos do craque, o Doga10, o Maestro tricolor. 

Obrigado Douglas por ter vestido a camisa 10 tricolor de maneira espetacular.

MBG Live #18 – 10 anos de Mesa de Bar do Grêmio

Saudações tricolores!

O programa de hoje é especial. Gabriel Pinto, Anderson Kegler, Rodrigo Azevedo e Fane Webber assopram as velinhas para os 10 anos do Mesa de Bar do Grêmio.

Na pauta vamos relembrar grandes momentos da história do programa, elencar participantes, colaborações, tretas e marcas que o programa deixou, mas também vamos TOCAR A CORNETA no Grêmio, no romildo, no departamento de futebol e em tudo o que mais temos direito, porque afinal de contas, o Grêmio faz de tudo para esse programa ter sucesso.

Comemorem, ouçam e espalhem a palavra do MBG com a gente.

Mesa de Bar do Grêmio – 10 anos

Não é todo o dia que alguém que mantém um projeto por 10 anos. São 10 anos, não são 10 programas. São 10 anos de um programa mais ou menos semanal.

Parem e pensem um momento enquanto leem o texto: onde vocês estavam há 10 anos? Quem vocês eram há 10 anos? Que tipo de piada contavam, que cabelo tinham, onde iam, com quem iam? 

Em 2011, entre chutes e ponta-pés, surgiu o MESA DE BAR DO GRÊMIO! Um programa despretensioso, criado a partir da ideia “gremistas para gremistas”, e sem intenção de ser mais do que é, um programa onde o torcedor – eu, vocês e todos nós – podemos expressar nossos sentimentos, nossas alegrias e nossas frustrações sobre o time do coração. 

Era o auge do Twitter, nem existia whatsapp, ainda se conversava pelo gtalk e as arquibancadas do Velho Casarão trepidavam ao som da Geral. Vivíamos uma era sem títulos, sem ídolos, mas onde nosso amor, nossa paixão incansável pelo TRICOLOR nos guiava como guia até hoje. Num pequeno bar na Lima e Silva, o saudoso Beverly Hills, nos reuníamos às segundas-feiras para beber e falar sobre o Grêmio. Em volta de um computador, usando um microfone barato, tomando cerveja, ríamos, corneteávamos e trazíamos soluções e críticas para o mundo e principalmente para o GRÊMIO! Lembro até hoje da primeira vez que fui: “é só invadir!”. 

Com o tempo a mesa do bar encheu, chegamos a ter programas de duras horas de duração, quase 20 pessoas, amigos! Virou um fenômeno, ao menos para nós! Não existia um lugar melhor para se estar do que no Mesa de Bar do GRÊMIO! 

Mas o tempo é implacável, e na vida a única constante é a mudança. Trocamos de bar, diminuíram as pessoas presentes, o programa ficou um pouco mais profissional, trocaram integrantes, alguns saíram, outros chegaram, alguns se ausentaram e retornaram. Os programas ficaram fora do ar por um tempo. É a vida, dissemos. Mas rapidamente descobrimos que não era possível não haver Mesa de Bar, não podíamos mais abrir mão, seja pelos nossos ouvintes, seja por nós mesmos, seja pela história que construímos. Demos um jeito, virou remoto, gravamos drops, trocamos de bar, tivemos novos parceiros, criamos uma forma de apoio, surgiram os padrinhos, vieram ideias, tentamos e conseguimos e falhamos, mas seguimos. 

Durante esse tempo assistimos o nascimento e o ocaso de muitos outros projetos, tão bons ou até melhores, mas nós tínhamos uma certeza: faremos o que sabemos fazer, da forma que sabemos fazer, sem projetos grandiosos, porém contínuos. Somos torcedores e assim seguiremos sendo! 

Hoje o Mesa de Bar do GRÊMIO está aí, fazendo 10 anos de vida.

Não citarei todos os integrantes que já estiveram conosco, pois eu poderia esquecer alguém, e isso, isso seria imperdoável. O projeto hoje, somos eu, Fane Webber, Gabriel Pinto e Rodrigo Azevedo.

Falando de mim agora, sempre me considerei como um “centro-avante” do projeto, alguém que acrescenta um toque diferente, que sabe algo a mais por vivências, algum texto mais emotivo e falas contundentes, não que seja verdade, longe de mim achar que sou ou fui a estrela do programa, mas me considero uma peça importante, porém não fundamental, e só funciono porque alguém faz todo o resto. O time funciona graças ao trabalho árduo dos outros três. Organizar a pauta, fazer arte, pensar em projetos, correr atrás de equipamento, editar o programa (apagando falas que renderiam muita dor de cabeça), ver dias e local para gravar… O trabalho é interminável. Eu sei que para quem escuta ou lê parece tudo um pouco aleatório, um grupo de torcedores dizendo o que acha e deu. Informo, usando a máxima do rock’n’roll: para parecer que é sem ensaio, é preciso ensaiar muito!

Então, caro leitor, ouvinte, torcedor, pode ser que não sejamos o melhor programa, pode ser que não seja do jeito perfeito, pode ser que tu não goste da gente ou da nossa opinião, mas segunda-feira que vem estaremos ali… há 10 anos!

Bom dia, boa tarde, boa noite!


Anderson Kegler

MBG Live #17 – Rebaixamento e Copa do Brasil

Saudações tricolores!

Nessa semana vamos falar do PERIGO que é o rebaixamento. O Grêmio não vence e continua na zona perigosa dando pauta pra corneta no programa. Também vamos falar da Copa do Brasil e o que esperar do confronto nas oitavas de final.

Gabriel Pinto, Fane Webber, Anderson Kegler e Rodrigo Azevedo deixam seus comentários e análises sobre a sequência do tricolor.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Live #15 – Felipão, Brasileirão, LDU e Sulamericana

Saudações tricolores!

Gravação ao vivo do debate semanal do Mesa de Bar do Grêmio. Nessa semana vamos falar da volta de Felipão, da sequência horrível no Brasileirão e do confronto contra a LDU pelas oitavas da Sulamericana.

Gabriel Pinto, Anderson Kegler, Fane Webber e Rodrigo azevedo debatem, discutem e deixam seus comentários acerca dos assuntos mais falados na podosfera gremista.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Drops #79 – Caiu Tiago Nunes e mais uma derrota no Brasileirão

Feitoria!

Fane Webber comanda o drops da semana para passar raiva junto com o tricolor. Mais uma derrota no Brasileirão e a demissão de Tiago Nunes na pauta.

Grupo XIS Poesia, Anderson Kegler e Gabriel Pinto também deixam suas mágoas, raivas e comentários acerca da especulação de Felipão, da omissão da diretoria, da incompetência de jogadores e dirigentes.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Live #14 – Pressão em Tiago Nunes

Saudações tricolores!

Nessa semana gravamos o MBG Live com as participações de Gabriel Pinto, Fane Webber e Anderson Kegler. Na pauta do programa a pressão em Tiago Nunes.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

Mesa de Bar do Grêmio #343 – Brasileirão de 81

Fala galera tricolor, Rodrigo Azevedo comanda mais um podcast do Mesa de Bar do Grêmio.

Esse programa é especial e vamos falar sobre o primeiro título nacional do tricolor: o Brasileirão de 81. Os convidados Gabriel Pinto, Anderson Kegler e Fane Webber falam, debatem, contam as histórias do título nacional e traçam paralelos com os grandes momentos do Grêmio.

A história do Grêmio registrada aqui no podcast. Ouçam e espalhem a palavra do MGB.

MBG Drops #78 – Brasileirão Feminino, GREnal e folga

Feitoria!

MBG Drops da semana chegando com Fane Webber e convidados para falar de Grêmio.

No Brasileirão Feminino teve GREnal no último domingo, disputado no Beira-Rio e o Grêmio perdeu por 2×1 num jogo bem disputado. O Gabriel Pinto trouxe um comentário acerca do desempenho tricolor, bem como uma cornetinha no andamento do projeto.

No masculino, Douglas Costa estreou de forma patética em Recife, o Grêmio perdeu para o Sport e folgou no final de semana. Será que trabalhou para evoluir? O que o Grêmio precisa fazer para melhorar esse início de Brasileirão? Anderson Kegler, Bruno Dornelles e Gabriel Pinto deixam seus comentários sobre o desempenho pífio do tricolor nesse começo de campeonato.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Drops #77 – Brasileirão e Arena

Feitoria!

MBG Drops dessa semana chegando com Fane Webber para abordar os assuntos polêmicos do Grêmio.

No programa de hoje, Fernando Risch, Bruno Dornelles, Rodrigo Azevedo e Anderson Kegler discorrem sobre a derrota no Brasileirão para o Athletico Paranaense, elucidam a derrocada tricolor e a sequência no Brasileirão.

Na pauta do programa também a efervescente grama da da Arena do tricolor, que se esvai, se desmancha, inexiste na capital porto alegrense, já que o rei sol não ilumina naturalmente o belo e arquitetonicamente bem construído estádio gremista. (contém ironia).

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Live #13 – Gramado da Arena, Copa do Brasil, Brasileirão

Saudações tricolores!

No programa dessa semana Gabriel Pinto traz pro debate a Copa do Brasil, o Brasileirão e os jogos que estão no caminho do tricolor.

Anderson Kegler, Fane Webber e Rodrigo Azevedo participam do programa para comentar sobre o surto de covid no tricolor, o neoliberalismo e aquela corneta no gramado da Arena.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG.Doc – Brasileirão de 81

O ano é 1981.

Nas ruas da capital gaúcha o Fusca era o carro mais comum, mas também é possível ver Chevettes, Fiats 147, Corcel, Del Rey , Kombis e, claro, os suntuosos Opalas. O posto de combustíveis Barril anuncia com uma faixa, TEMOS ÁLCOOL. Essa é a imagem da capital de todos os gaúchos. Porto Alegre. A cidade onde os jovens frequentavam a lanchonete Joe’s lá no alto da Ramiro para beber o chamado “melhor milkshake da cidade”, apesar de o maior sucesso mesmo ser a Banana Split.

A cidade está com um clima diferente, de ressaca. Na noite anterior os rádios de gremistas e colorados estavam sintonizados no estádio Morumbi em São Paulo, no dia seguinte a maioria do Estado do Rio Grande do Sul comemora. Nas bancas de jornais as manchetes explicam os cheiros e sabores da capital gaúcha, “Grêmio Campeão Brasileiro” em letras garrafais na Zero Hora. No Correio do Povo a manchete diz “Grêmio o justo campeão nacional”. Na folha da tarde em letras garrafais, Grêmio é o melhor do Brasil.

Emanuel Mattos escreveu na Revista Placar e resumiu a noite de êxtase: “Loucura – é o mínimo que se pode dizer para sintetizar os sentimentos que essa nação gremista soltou no melhor dia dos 77 anos do clube, o dia em que o Grêmio chegou pela primeira vez ao título de campeão brasileiro. É impossível descrever de outra forma aquela massa que se deslocava aos milhares em direção ao aeroporto Salgado Filho para receber os novos heróis do Rio Grande cantando o refrão do hino gremista com um ufanismo comovente.

A história do primeiro título brasileiro do Grêmio começa antes da noite de três de maio no estádio do Morumbi em São Paulo.

Se tem uma coisa que a CBF adora fazer é inventar fórmula de campeonato. No ano de 1981 também não foi diferente. Originalmente chamado de Taça de Ouro, o Brasileirão daquele ano contou com 6 clubes vindos do Paulistão, 5 clubes do Carioca, dois do Gauchão, Mineiro, Paranaense, Baiano, Pernambucano, Cearense e do GOIANÃO. E dos outros estados, apenas o campeão de cada certame estadual. Além deles, ainda vieram mais 4 da Taça de Prata, que havia sido jogada anteriormente no mesmo ano. Era como se fosse o G4 da Série B de hoje/ se juntando a Série A. Confusão TOTAL.

O campeonato começou no dia 17 de JANEIRO e a grande final foi no dia 03 de maio. Ou seja, em 4 meses o Brasileirão estava resolvido. No fim, ou no início, no caso, eram 4 grupos com 10 clubes em cada. Turno único dentro dos grupos e se classificavam os SETE primeiros de cada grupo. Uma festa.

O Grêmio estava no Grupo B, junto com Portuguesa, Operário, Goiás, Corinthians, GALÍCIA, Botafogo, PINHEIROS, Brasília e Desportiva Ferroviária. 

O primeiro jogo do tricolor foi no dia 18/01 contra o Goiás lá no Serra Dourada. O placar final foi 0x0 e a gente já até imagina o alívio de não perder lá. A gente sempre perdia lá. Depois recebemos no Estádio Olímpico o Galícia – que não era um time europeu convidado e sim uma equipe da Bahia e por sinal um dos mais tradicionais clubes de Salvador – e o Desportiva Ferroviária. Duas vitórias, 2-1 e 2-0 respectivamente. E alí já começava a brilhar a estrela de Baltazar. 1 gol em cada jogo.

Ainda em janeiro saímos para enfrentar o Pinheiros e deu empate em 1-1 e depois no Estádio Olímpico foi a vez de enfrentar o Corinthians. Vitória por 1-0 com gol de Tarciso, o flecha Negra. Com 8 pontos aquela altura o Grêmio encaminhava já a classificação e as derrotas que vieram a seguir não abalaram as estruturas.

Em São Paulo perdeu para a Portuguesa por 1 a 0 e depois no Olimpico perdeu para o Brasília por 2 a 1. Entre os dois jogos uma vitória contra o Botafogo no Rio de Janeiro. Esse jogo contra o Botafogo foi no Maracanã e o Baltazar fez os 3 gols da vitória por 3-2 antes mesmo dos 30 minutos do primeiro tempo.

Hat trick. Triplete. Pede a música no Fantástico.

O tricolor ainda perdeu o jogo contra o Operário em Campo Grande no famoso estádio MORENÃO. O 2-1 contra não abalou o time que no dia 08 de março voltaria a campo já pela segunda fase do Brasileirão de 1981.

A segunda fase do campeonato eram mais 8 grupos com 4 times em cada grupo. Classificariam os dois primeiros para começar o mata-mata das oitavas de final. O Grêmio ficou no grupo E com São Paulo, Inter de Limeira e Fortaleza.

Na estreia da segunda fase fomos ao Morumbi e tomamos o famoso SACODE. 3-0 para o tricolor paulista, fora o baile. Mal podiam esperar pelo troco que ainda estava por vir.

Ganhamos do Fortaleza por 2-1 e da Inter de Limeira por 3-1 na sequência das rodadas. Baltazar marcou outro gol contra a equipe cearense no Estádio Olímpico. Na partida seguinte, recebemos o São Paulo e vitória por 1-0 com gol da estrela: Baltazar.

Fomos a Fortaleza ganhar de 4 a 0 da equipe local e depois ganhamos da Inter de Limeira em casa por 1-0 a classificação para as oitavas de final estava garantida.

Pelo rankeamento o Grêmio encarou o Vitória no primeiro confronto do mata-mata. O primeiro jogo em 09 de abril em Salvador e a equipe baiana venceu a partida por 2-1. Tarciso fez o gol tricolor que garantiu uma sobrevida para o confronto da volta no Estádio Olímpico.

Na volta, o Olímpico estava cheio com mais de 30 mil pessoas e a vitória sobre o Vitória veio até com certa tranquilidade. O tricolor abriu o placar logo aos 6 minutos com Paulo Isidoro e controlou a partida. O segundo e derradeiro gol veio aos 3 minutos da segunda etapa com Tarciso. Classificação para as quartas-de-final garantida.

Na fase seguinte o Grêmio teria o Operário novamente pela frente. Dessa vez com o primeiro confronto em casa. Tarciso e Vilson Taddei fizeram os gols da vitória tricolor por 2-0 construindo uma boa vantagem para o confronto da volta. Apenas 4 dias depois do primeiro jogo, em 19 de abril, o Operário recebia o Grêmio no MORENÃO e não foi páreo para o artilheiro tricolor. Baltazar marcou o gol da vitória que classificou o Grêmio para as semi-finais do Brasileirão.

A semi final era contra a sensação paulista: Ponte Preta. A equipe campinense considera até hoje o ano de 1981 como o “ano de ouro” do clube. Conquistou alguns títulos e chegou até a semi-final do Brasileirão, seu melhor resultado. Mas nada como enfrentar o Grêmio para acabar com os sonhos de qualquer um.

O tricolor visitou o Estádio Moisés Lucarelli no primeiro confronto e saiu de lá com uma vitória de 3-2. Tarciso, Paulo Isidoro e Vilson Taddei fizeram os gols do Grêmio. O jogo foi encrespado e o tricolor virou a partida após sair perdendo logo no início. A vitória trouxe uma vantagem considerável para o confronto decisivo no Estádio Olímpico.

26 de abril de 1981 e um público oficial de 98 MIL PESSOAS. Isso mesmo. Oficialmente naquele dia em Porto Alegre tinham 98 mil pessoas dentro do Estádio Olímpico.

O fato é que o tricolor estava nervoso e o jogo não saiu como a torcida imaginava. Vamos tocar aquela cornetinha aqui: O que devia ter de pé-frio nesse dia não estava no mapa. Aos 20′ do primeiro tempo, Osvaldo abriu o placar para a Ponte Preta e um silêncio preocupante tomou conta do concreto do saudoso Olímpico.

A expectativa para uma final inédita, o estádio abarrotado de gente e o revés logo no começo da partida enervaram de vez os jogadores. Só dava Ponte Preta. Nem a bronca do técnico Ênio Andrade no intervalo, pedindo um time mais leve e menos nervoso, surtira efeito.

Foi com Hugo De León, quem diria, zagueiro e capitão, de autoridade indiscutível e qualidade superior. O uruguaio tentou tirar a bola de perto da área, aparar um cruzamento. O chute, traiçoeiro, tomou o efeito contrário, quase decidido a manter o sonho azul de um título nacional confinado nos porões do Olímpico.

Mas Leão saltou como um gato, buscou a bola no ângulo e salvou o gol de uma provável eliminação catastrófica.

Quando o árbitro da partida trilou o apito final, a derrota pouco importava. O Grêmio estava pela primeira vez na final do Campeonato Brasileiro e com uma vaga garantida na Libertadores do ano seguinte.

Quis o destino que o confronto final fosse contra o São Paulo, ao qual o Grêmio já havia enfrentado na fase de grupos. A derrota de 3-0 no Morumbi na segunda fase tinha doído e o estádio são paulino seria o palco da finalíssima. O Grêmio teria que fazer lá em São Paulo o que não tinha feito antes.

No dia 30 de abril de 1981 o Estádio Olímpico recebeu 61 mil pessoas para acompanhar o primeiro jogo da final do Brasileirão. A trupe tricolor era forte. Leão no gol, De Leon, Casemiro, China, Paulo Isidora, Tarciso e Baltazar tocando o terror dentro de campo. Do outro lado um São Paulo com várias estrelas. Waldir Peres, Dario Pereyra, Serginho Chulapa. Na arbitragem do jogo: A regra é clara. Arnaldo Cesar Coelho. Nada mais do que um grande jogo se esperava. E foi.

O São Paulo abriu o placar aos 39 minutos com o artilheiro Serginho Chulapa após o Grêmio ter perdido um pênalti. Baltazar desperdiçou a oportunidade de abrir o placar e o Grêmio se atirou a buscar o resultado positivo. E veio.

Paulo Isidoro se iluminou e fez os dois gols da vitória por 2-1. Os dois gols contaram um pouco com a sorte, mas como diz o ditado: a sorte ajuda quem cedo madruga… ou algo que o valha.

Assim como na segunda fase, o Grêmio venceu o São Paulo em casa. Só que dessa vez teríamos o confronto da volta para somente decidir o título do Brasileirão de 81. E o Morumbi seria o primeiro dos grandes palcos brasileiros a se curvarem ao tamanho do Grêmio.

A data era 03 de maio de 1981 e o Morumbi recebeu 95 mil pessoas. Muitos torcedores do Grêmio lotaram o espaço da torcida visitante e puderam acompanhar de perto um jogo tenso, difícil e com doses de desespero. O São Paulo era considerado o favorito por jogar em casa com suas estrelas, mas o Grêmio tinha um time aguerrido e forte.

Teve muita pressão do São Paulo para tentar dominar a partida e abrir o marcador, mas a defesa gremista foi sólida e Leão e Hugo De León estavam inspirados naquela tarde. Aliás, não só eles. Baltazar, o artilheiro de deus, também estava inspirado e fez o gol mais importante da sua história no tricolor. O gol do título. E não foi qualquer gol. Domínio no peito, chute no ângulo. Gol de placa. Para calar o Morumbi. Para inaugurar os feitos tricolores por estádios no brasil e no mundo afora.

O título tricolor veio para dar início ao crescimento do clube como um dos grandes do país. Para colocar no mapa o Grêmio de Football Porto Alegrense pro resto do país ver. Veio para dar início a uma era de títulos e conquistas importantes. O Brasileirão de 1981 foi o primeiro do Grêmio grandioso.

Com jogadores que marcaram a época, de relevância e de muita honra vestindo o manto tricolor, impusemos um modo de ganhar, uma estirpe copera. O Grêmio vencedor que tanto cobramos aqui. 

E esse MBG.Doc relembra 40 anos atrás para deixar registrado na nossa história mais esse momento do clube que amamos. E que sonhamos rever erguendo a taça do Brasileirão novamente esse ano.

Todo grande clube possui momentos definidores de trajetória, estilo e de torcedores. O Grêmio teve um dos vários grandes momentos no ano de 1981 com seu primeiro título nacional. O torcedor gremista não imaginava que essa era apenas uma pequena alegria que aquele esquadrão iria dar e que em um futuro breve iria alcançar voos maiores ainda. A ressaca da manhã de 04 de maio de 1981 se justificava, os torcedores estavam em êxtase e em justificada emoção. Atenção Brasil, aqui é Grêmio.


Pesquisa, texto e roteiro: Gabriel Pinto e Fane Webber / Locução: Fane Webber e Márcio Paz / Edição: Fane Webber / Produção: Equipe do Mesa de Bar do Grêmio.