Mesa de Bar do Grêmio #342 – Que pedazo de gol

Fala galera tricolor!

O podcast Mesa de Bar do Grêmio desse mês é especial. A campanha “Que pedazo de gol” que criamos chega ao nosso debate mensal com apresentação de Rodrigo Azevedo e as participações de Anderson Kegler, Gabriel Pinto e Fane Webber.

Na pauta do programa, única e exclusivamente: Luan. As lembranças, os gols, os momentos marcantes nos nossos corações.

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A campanha “Que pedazo de gol” também inspirou nossas mentes para a criação de dois produtos únicos, exclusivos e limitado. Um kit com 4 porta-copos e 1 abridor de garrafa de parede. Com desenho maravilhoso feito pela Porto Artes e alta qualidade de produção com madeira e cortiça.

Aproveite para acompanhar todos os programas da campanha:

MBG Analisa
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MBG Analisa – Luan

Saudações tricolores!

O programa de hoje é especial para a campanha “Que pedazo de Gol”. E por isso vamos falar exclusivamente dele, do reizinho, Luan. Números da passagem de seis temporadas pelo tricolor e também uma análise de como um meia atacante conseguiu ser além de um ótimo assistente, artilheiro.

Na passagem pelo Grêmio foram 293 jogos e 77 gols marcados, ultrapassando inclusive a marca de gols do Renato, justamente quando este era o treinador. Artilheiros da temporada 2017, foi também artilheiro da Libertadores e é o segundo maior artilheiro gremista da Arena.

É impressionante como um jogador que tinha características de meio-campista conseguia ser tão efetivo para deixar a bola na rede. De fora da área, de dentro, como 9, como falso 9, cabeceando… De todos os jeitos, Luan contribuiu demais para as conquistas da Copa do Brasil, da Libertadores e da Recopa.

Não dá pra definir exatamente como Luan atuava nos dois times em que se destacou no Grêmio. No de Roger, no caminho para o título da Copa do Brasil, ele jogava como o famoso “falso 9”, variando com Douglas entre ataque e meio. Já no Grêmio do Renato, era um “10” que circulava pelo campo e fazia a bola circular aos demais atletas.

Vamos relembrar alguns jogos para mostrar essa diferença de eficiência em cada setor do campo e de como ele tinha visão e leitura dos espaços para participar do jogo o máximo do tempo possível.

O primeiro jogo é o confronto contra o Atlético MG pelo Brasileirão de 2015. Partida no Mineirão em que o Grêmio venceu por 2 a 0 e o Douglas fez um gol espetacular de uma jogada que nasce na lateral direita defensiva. Esse Grêmio já dava mostras do que viria a fazer nos dois anos seguintes.

Aos 40′ do primeiro tempo a gente tem o antológico gol do Douglas. E o que chama a atenção nessa jogada iniciada no setor defensivo, é o deslocamento do Luan no espaço do meio e a simplicidade para dar sequência na jogada. Ele dá dois, três passos em direção ao buraco que o time do Atletico deixa e vira uma opção de passe rápido para a saída de jogo. Leitura dos espaços é fundamental para um atleta de alto nível.

MBG Analisa - Luan

Nessa jogada ainda, talvez muitos não percebam pois a conclusão do Douglas é perfeita, mas o Luan acompanha na corrida o desenrolar e o Grêmio chega na área adversária num 4×3. Ao acompanhar a jogada, Luan se torna mais um na superioridade númerica na fase de ataque e se o Douglas não quisesse chutar a gol, poderia fazer o cruzamento para o Pedro Rocha que entrava livre no lado oposto.

A movimentação do Luan atraiu um dos zagueiros do Atlético que deixou exposto o lado esquerdo de defesa. Fundamental também é jogar sem a bola.

O Mineirão é quase um salão de festas tricolor. Foi lá também que o Luan fez o gol que levou a gente a criar o Prêmio Luan de Gol mais maravilhoso.

A partida contra o Cruzeiro era a primeira da semi-final da Copa do Brasil de 2016 e na jogada o Grêmio ficou trocando passes por mais de um minuto até encontrar espaço. Não dá pra dizer que havia muito espaço no momento da conclusão, mas é aí que a gente vê o craque que decide.

Na imagem abaixo, 3 jogadores na frente e mais dois se aproximando atrás do Luan. Achar um chute preciso ali é preciso ter muito talento e é claro que aí a sorte acompanha. Luan, marcado, acha uma cavada chute no ângulo oposto do goleiro e faz um golaço.

O terceiro jogo é para citar a qualidade de passe do Luan. Esse jogo não é tão emblemático pois acabou não nos dando título ou tampouco era alguma copa. O ano era 2018 e já estávamos quase no fim da era Luan. Na Arena do Corinthians, um jogo do Brasileirão e um contra-ataque gremista de dois jogadores (Luan e Everton) contra uma defesa corinthiana de quatro jogadores em linha.

Olhando o lance hoje de novo, no frame abaixo, nós, meros apreciadores do futebol, não iríamos conseguir achar alguma jogada ali que pudesse ser eficiente.

Há claro a contribuição no lance de ser um goleiro adversário que joga numa linnha baixa, que estava dentro da sua própria pequena área, há também o fator Everton. O Cebolinha é mais rápido. E essa conjunção de fatores permitiu que para o craque, para o jogador diferenciado, houvesse um desfecho para a jogada que certamente outro não teria feito.

Um passe no “ponto futuro”, na medida e com velocidade certeira para o defensor não interceptar e nem o goleiro chegar a tempo. Somente Luan poderia ter dado esse passe pro gol do Everton.

Poderíamos trazer aqui algumas dificuldades que tivemos com o Luan. Às vezes a falta de impulsividade, por outras vezes uma percepção de cansaço. Mas um momento tão vitorioso na história do Grêmio deve ser exaltado pelas qualidades e pelo reconhecimento daquilo que foi extraordinário.

Poderíamos trazer aqui muitos outros lances, gols em GREnal, lances em jogos menos badalados, gol na Recopa. Mas esses três exaltam aquilo que aparecia na qualidade do futebol do Luan. 

E é claro que eu não posso deixar de falar do gol na final da Libertadores contra o Lanus. O gol que originou a nossa campanha. Mas esse gol não dá pra tentar ser analista, entender a movimentação para não receber o passe em impedimento, achar espaço entre a defesa onde não havia, a frieza, a categoria. Esse gol é fruto da qualidade técnica e somente dele, do reizinho.

“Que pedazo de Gol”.

É de Luan, aos 19 minutos…

Walace,

Maicon,

Na esquerda com Marcelo Oliveira…

Faz muito barulho o torcedor do Cruzeiro…

Aí com Luan na entrada da área, bateu por cima, na trave, gol… gooooooooooollllllll!

Gol do GRÊMIO, é de Luan, aos 19 minutos…

Semi-finais, Copa do Brasil, 2016. Ali, naquela noite iluminada, naquele gol, naquela pintura, naquele toque de genialidade futebolística, naquele que seria eleito um dos gols mais maravilhosos, a história do GRÊMIO mudou. Não só surgiu um estio num sem fim de dias nublados e de “quases”, como alvoreceu um time que encantaria o Brasil, a América e que assombrou o mundo ao não se curvar diante do poderoso Real Madrid no mundial do ano seguinte. 

O gol de Luan mostrava que havia entre nossos jogadores alguém capaz de ser Rei, de transformar a mais feroz zaga em vassalos do seu futebol. Não que fosse alguma novidade, não que não conhecêssemos a habilidade, não que não soubéssemos quem era Luan, carrasco de GRE-nais, herói de uma Olímpiada que creditaram a outro, mas foi ali, foi naquele momento que entendemos sua grandiosidade. 

É inegável que ao mudar nossa história Luan tornou-se o protagonista, os holofotes caíram sobre ele. Mas ele, ao contrário de muitos, não sucumbiu a pressão. Assumiu para si a mágica camisa 7 do GRÊMIO, não só para vesti-la, mas para honrá-la e dar-lhe mais algumas toneladas de peso e glória.

Luan seguiu e seguiu fazendo gols e nos encantando, criando uma lenda, nos fazendo sonhar com a América.

E então, na sonhada LIBERTADORES DA AMÉRICA – assim mesmo em letras garrafais – numa Final e não em qualquer jogo e não em qualquer local e não em qualquer noite e não com qualquer camisa e não por qualquer torcida, Luan, diante de um estádio que pulsava, no dia 29 de novembro de 2017, aos 42 minutos do primeiro tempo, fez o que só Luan poderia fazer…

Que los parió, Luan Guilherme de Jesus Vieira… muito obrigado! 

Anderson Kegler