MBG.Doc – Que Pedazo de Gol

O MBG.Doc é um programa do Mesa de Bar do Grêmio que traz a história do tricolor no formato de podcast. 

E no programa de hoje vamos falar de uma lenda recente. Um ícone que deixou marcado o seu nome no rol de grandes jogadores do clube. Um craque que nos deu o título mais cobiçado pelo torcedor gremista e alcançou o patamar de Rei da América.

Essa é a campanha “Que Pedazo de Gol”.

Luan Guilherme de Jesus Vieira, conhecido apenas como Luan. Ou, nos nossos corações idealizadores: Luanel Messi.

Nascido em São Paulo no ano de 1993, Luan começou a carreira em um clube pequeno do interior paulista e ganhou destaque na Copa São Paulo de Futebol Jr jogando pelo América de São Paulo. Na competição fez 6 gols, sendo um deles no empate com o Flamengo que eliminou o gigante clube carioca da competição. Luan já estava predestinado a crescer nos momentos decisivos.

Luan chegou nas categorias de base do tricolor em 2013 e no ano de 2014 já estava evoluindo e chegando ao elenco profissional. Talvez pressionado pelo fato do Grêmio estar sedento por um título e carente de bons jogadores, ao ver que o jogador tinha um talento especial, já avançou no processo.

Sua estreia com a camisa tricolor foi no dia 19 de janeiro de 2014 no jogo contra o São José no Passo D’areia em Porto Alegre. O Grêmio saiu derrotado nessa partida sob um calor de 39º. 10 dias depois da estreia, Luan jogou contra o Brasil no Bento Freitas em Pelotas e marcou seu primeiro dos 77 gols com a camisa do Grêmio.

MBG.Doc - Que Pedazo de Gol
Foto: Lucas Uebel

O ano de 2014, num processo de evolução do time e do próprio jogador, ainda pudemos ver Luan marcar mais 8 gols na temporada, totalizando 9 e sendo o vice-artilheiro daquela temporada. Luan, um meia-atacante, já mostrava uma de suas característica fundamentais. Estava fadado a ser artilheiro.

Outro fato marcante da temporada de estreia do nosso “menino de ouro” foi o GREnal 403 na Arena. O Grêmio vinha de uma sequência de 2 anos sem ganhar do inter e no aniversário do então técnico Felipão, aplicamos uma sonora goleada no rival. 4 a 1, fora o baile.

Luan, já com faro de gol, abriu o placar na goleada tipicamente como centro-avante, aproveitando um passe cruzado na pequena área adversária. Além do gol, nosso meia-atacante também deu a assistência para o gol do Ramiro, o segundo da goleada.

A história estava começando a ser escrita.

Veio 2015 e a chegada de Roger no comando técnico talvez tenha sido fundamental para a evolução do clube como um todo e principalmente dentro de campo. Nessa temporada Luan fez 18 gols em 58 partidas e cada vez mais víamos um jogador capaz de controlar o jogo no meio, bem como ser fundamental no ataque.

Nessa temporada também não veio o título tão desejado pelo tricolor, mas a história estava nos propiciando momentos fantásticos contra o maior rival e vamos listar aqui 5 motivos pra isso:

Giuliano, Luan, Luan, Fernandinho e Rever (contra).

A data era 09 de agosto de 2015 e o Grêmio já dava mostras de um futebol que viria a ser exuberante nos próximos dois anos. Patrolar o rival foi mais uma amostra do que aquele Grêmio viria a fazer e do que Luan foi capaz de fazer também.

E aí, chegamos em 2016. Um capítulo à parte na história tricolor. A pressão cada vez maior sobre o clube para conquistar um campeonato e nossa esperança vinha de jogadores não tão renomados, algumas dúvidas mas uma certeza: Luan.

Nessa temporada, Luan começou mal, assim como o Grêmio de Roger. Tivemos o famoso dia das pipocas no treino. Um bando de idiota se deslocou até o CT para jogar PIPOCA no Luan e em outros jogadores. Se arrependimento matasse, hein?

Foto: Lucas Uebel

Luan já figurava nas convocações para a Seleção Olímpica Brasileira que viria a disputar os jogos do Rio 2016. E apesar de ser um nome constante, iniciou a competição internacional no banco de reservas. Mas o Brasil vinha jogando mal e até a imprensa questionava o porquê de um jogador tão promissor ser pouco aproveitado.

Eis que na última rodada da primeira fase da competição, o treinador Rogério Micale pressionado se viu obrigado a colocar Luan para jogar. E aí, a história foi feita com o Brasil conquistando pela primeira vez a medalha de ouro no futebol. Luan entrava para a história da camisa amarela e estava prestes a entrar pra história da camisa tricolor.

Para quem acompanha o Mesa de Bar do Grêmio há mais tempo, sabe que nas últimas temporadas nós fizemos a escolha do gol tricolor mais bonito do ano ao final da temporada. E o nome desse Prêmio é uma homenagem ao jogador: Prêmio Luan de Gol Mais Bonito.

Esse nome veio pelo golaço que o jogador fez na partida contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil. O Mineirão foi palco da pintura na semi-final que o Grêmio venceu por 2 a 0 e encaminhou a classificação para a final da Copa que viria a conquistar.

Aquele foi o gol solitário do jogador na competição, mas o nível de excelência que ele e o time mostraram ao final, já vale o prêmio. Não podemos deixar de lembrar que o Grêmio passou por momentos conturbados na metade da temporada, fazendo com que o Roger deixasse o comando técnico para assumir o nosso ídolo Renato.

Na temporada de 2016, a menos artilheira, Luan fez 12 gols, mas a contribuição para os títulos dos jogos olímpicos com a seleção e a Copa do Brasil com o Grêmio glorificaram a temporada.

Não dá para falar de Luan e não lembrar do “reizinho”. O Rei da América. O Grêmio buscou a sua glória máxima e a campanha da Libertadores 2017 foi extraordinária. Um Grêmio envolvente, brilhante, cascudo, catimbeiro e marcante.

Luan foi um pouco de tudo isso durante a temporada que culminou naquele 29 de Novembro no estádio Ciudad de Lanús.

Mas o que é bom a gente deixa pro final. Então me permitam avançar um pouco na história.

Enfrentar o Real Madrid e CR7 talvez nunca tenha passado pela cabeça do menino do interior de São Paulo, mas o fato é que o menino Luan esteve lá. O Mundial de Clubes não teve o desfecho dos sonhos mas inegável que a experiência é valiosíssima e até isso pudemos disfrutar como torcedores tricolores. CR7 contra o nosso Luanel Messi.

Foto: Lucas Uebel

Após isso, uma lesão que já insistia em aparecer, começou a perturbar mais o jogador. Antes do declínio técnico e físico, Luan ainda levantou a Recopa Sulamericana de 2018 em dois jogos contra o Independiente. Adivinha quem fez o gol lá em Avellaneda? Ele mesmo. O reizinho.

Na temporada de 2018, Luan ajudou o Grêmio a chegar na semi-final da Libertadores novamente. Jogos duríssimos contra o River Plate mas que Luan estava lesionado e não pode participar. Ainda assim, na temporada foram 11 gols em 40 jogos do camisa 7.

No ano seguinte, o derradeiro ponto final. A temporada de 2019 não se desenhou muito bem e ainda assim Luan contribuiu demais ao Grêmio enquanto pode. Foram mais 9 gols em 36 jogos naquele ano e mais uma semi-final de Libertadores. Dessa vez contra o Flamengo e por causa da lesão, Luan jogou a primeira partida “meio campenga” e não esteve em campo no fatídico jogo do Maracanã.

O ato final do “reizinho” como grande jogador do Grêmio foi ter alcançado o número de gols de Renato Portaluppi. Na vitória contra o Atlético PR na Arena, Luan fez um dos gols e chegou ao de número 75 com a camisa tricolor, deixando para trás o técnico gremista que tem 74.

Deu tempo dele marcar mais dois ainda naquele ano. Contra o Santos na Vila Belmiro e na goleada sobre o Avaí na Arena no dia 29 de setembro. Depois disso, Luan ficou entre reserva e lesão, frustração e tristeza e um desfecho de certa forma até melancólico já que não fez uma despedida oficial até ser negociado com o Corinthians e deixar o tricolor ao fim de 2019.


Como não terminar contando a história de Luan no Grêmio sem um final feliz? Não dá. É impossível. A alegria que eles nos deu em campo não tem preço.

Na Libertadores 2017 foi um dos artilheiros fazendo 8 gols na competição sendo eleito o craque da Copa. Fez gol contra o Zamora fora e em casa, fez dois gols contra o Deportes Iquique e também fez dois gols contra o Barcelona de Guayaquil na semi-final. Mas o melhor sempre fica para o fim.

“Que pedazo de gol” ficou imortalizado na narração de Walter Nelson da Rádio La Red, da Argentina . Luan fez um dos gols mais bonitos da história da Libertadores e numa final. Fora de casa. Se isso não é craque, meus amigos. Eu não sei mais o que é. Essa temporada de 2017 foi a mais artilheira do Luan. Fez 18 gols em 52 jogos e toda vez que eu falo aqui em quantidade de gols eu fico impressionado como um jogador que é meio-campista consegue ser tão artilheiro.

Não dá para negar que o grupo que o Grêmio montou em conjunto com um time bem organizado fez com que as individualidades se destacassem. Assim como outros jogadores surgiram da base e outros que vieram contribuíram muito para a conquista da taça, um time sempre tem um craque que represente aquele momento. E naquele momento, o craque era o Luan.

O jornal uruguaio El País elege todo ano o “Rei da América”, prêmio tradicional concedido ao melhor jogador da América do Sul. No dia 28/02/18 o Grêmio foi ao Uruguai jogar na estreia da Libertadores daquele ano, mas Luan foi para algo maior. Receber em mãos o prêmio de Rei da América.

Sem o coletivo talvez não estivéssemos fazendo aqui esse MBG.Doc de um jogador. Mas com um bom coletivo, o craque sempre desponta. E nessas 6 temporadas que o Luan esteve vestindo com muita honra a camiseta tricolor, nós pudemos acompanhar a história diante dos nossos olhos e aproveitamos momentos de glórias com títulos e vitórias incríveis contra o nosso rival.

Luan é para o torcedor gremista uma lenda, um craque, um Rei.



O MBG.doc teve pesquisa e locução de Gabriel Pinto. Sonoplastia e pesquisa adicional de Fane Webber. Os gols que ouvimos ao longo do episódio tiveram as narrações de Luiz Augusto Alano, Pedro Ernesto Denardin, Cristiano Oliveski, Galvão Bueno, Nivaldo Prieto, Luis Carlos Jr. e Walter Nelson. O projeto é apoiado pelos Padrinhos do MBG.

Sirvam nossas façanhas…

Esse texto não foi escrito depois da final da Copa do Brasil. Escrevo mais de 24h antes do primeiro jogo, enquanto ainda consigo ter os últimos suspiros de lucidez antes de ser envolvida na famosa “função de jogo”.

Não que tenha grande função de jogo. O Estado está em bandeira preta. As UTIs estão lotadas e infelizmente os números de mortos por conta do Coronavírus são os maiores de todos os tempos no Rio Grande do Sul. Mas o esporte, essa prática lúdica de entretenimento, ganhou importância exagerada na nossa sociedade e economia. 

Enfim, enrolei essa abertura do texto para, finalmente, no terceiro parágrafo dizer que o título é um recurso fácil de engajamento chamado click bait. É uma isca para o desavisado compartilhar esse conteúdo, mesmo até sem ler. Os mais experientes não usavam essas expressões em inglês, chamavam de “pega-ratão”. Expressão que honestamente prefiro.

Mas então: venho aqui com esse “pega-ratão” para fazer diferente de certos dirigentes que pregam contra alguma coisa só depois que não podem mais se beneficiar delas. Me refiro ao episódio que foi defendida a profissionalização da arbitragem ao final do campeonato brasileiro como bode expiatório para atividade de campo. Não é que eu não concorde com a profissionalização, mas eu falo isso o ano inteiro e não só quando me é politicamente interessante.

Minha proposição é de que agora que a Copa do Brasil passou o Grêmio possa finalmente prestar atenção e se organizar de fato e não apenas da boca para fora. 

Sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra após essa final da Copa do Brasil. 

Um clube de futebol profissional deve e merece ser administrado como um clube de futebol profissional. Não importa o resultado da final, peço que se aprenda que uma campanha como a de 2020-21 sirva de aprendizado do que não se pode cometer, principalmente em um ano de crise. A pior coisa em uma crise é a falta de planejamento e a criação de uma expectativa irreal. 

Não podemos começar um ano com contratações infelizes como foi o que passou. Não importa a conversa pra boi dormir que o Romildo diga, o Grêmio contratou mal na temporada que passou (“pra boi dormir”, outra expressão usada há não muito tempo e que adoro). A falta de planejamento se evidencia quando se contrata jogadores que simplesmente não se encaixam no esquema tático.

Será que a mudança de um futebol propositivo e de posse de bola para um modelo reativo e de domínio de espaço foi intencional? Porque se foi, é pior ainda. Alguém está enganando alguém e todos estão enganando uma torcida. Notamos que deixar nossa zaga completamente exposta e dependente de brilhantismos individuais não foi a melhor opção durante o ano, vamos repetir essa ideia? 

Sei lá, a temporada passada foi a do empate. A temporada do abandono do campeonato brasileiro e da equipe que decolou apenas por duas semanas (em novembro) porque foi isso que a preparação física permitiu (e olha a tabela do campeonato estava pronta desde junho).

Diferente de um certo dirigente que só reclamou porque o campeonato acabou, e não o favoreceu, escrevo isso antes.

Antes dos resultados das duas partidas para dizer com consciência tranquila que se o Grêmio venceu, foi apesar de tudo isso. E se perdeu, foi também por conta de tudo isso. 

Renato Portaluppi. No dia 27 de fevereiro, tanto o Grêmio quanto o técnico não tinham certeza se seguiriam o resto da temporada.

Finalizo com o importante fato que até o momento não sei se no dia 8 de março os atletas do Grêmio vão ainda responder às ordens de Renato Portaluppi. 

Renato é alguém que sou eternamente grato por esse tempo no Grêmio e por viver esse sonho louco que é transformar esse clube administrado como aquela padaria de Guaporé, em algo maior que os esforços políticos transparecem fazer. 

Estou falando de 15 dias do passado e não sei quem é o técnico da temporada 2021 e sabe o que é pior? Eu não sei se o próprio Grêmio sabe.

Se tudo ocorrer mal, estaremos jogando a primeira fase da Libertadores em breve. Desastre.

Existe um esforço HERCÚLEO de fazer algo nas coxas e não é um problema só gremista, mas nossa incompetência não nos faz tirar proveito desse cenário generalizado no nosso esporte. Vivemos pela lei do menor esforço.

Sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra” diz o hino estadual. Esse é o pega-ratão que provavelmente não foi entendido. Afinal de contas, “nossas façanhas” podem muito bem ser algo como: “Veja tudo isso que foi feito e não repita os mesmos erros!”.

De modelo à toda terra.

Fane Webber

MBG Live #05 – Grêmio 0 x 1 Palmeiras

Saudações tricolores!

MBG Live especial Final da Copa do Brasil com Gabriel Pinto, Fane Webber, Anderson Kegler e Rodrigo Azevedo. Nesse programa gravado após o primeiro jogo da final da Copa do Brasil a corneta está fortalecida.

Na pauta do programa a escolha de Paulo Victor para ser o goleiro titular na final. A dependência de grandes jogadores para mudar o time ou um time bom para alavancar os grandes jogadores? E por fim falamos das soluções mágicas ou não para reverter o placar e sair campeão da Copa do Brasil.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

Final da Copa do Brasil

Eis que após um campeonato brasileiro medíocre em que ninguém queria ganhar – no último jogo bastava ganhar para ser campeão e ninguém ganhou – surgem as finais da Copa do Brasil!

GRÊMIO e Palmeiras se enfrentam neste domingo, num jogo que promete de tudo, desde um futebol miserável até muita emoção por conta da baixíssima qualidade técnica dos “heróis” em campo.

Não se enganem com meu ceticismo, vou torcer muito pelo GRÊMIO, mas porque sou torcedor do GRÊMIO, não porque eu ache em algum momento que existe algo além disso. Só é possível acompanhar o nosso futebol (brasileiro) por puro sentimento e paixão, porque, com o já falei outras vezes, se fosse pelo nível técnico é preferível fazer qualquer outra coisa.

O time do GRÊMIO vem de um ano que contratações infelizes e alguma dose de “não é possível que esses caras treinem se fazem isso em campo” colocaram em cheque boa parte da credibilidade alcançada nos últimos anos de conquistas. Mas, como dizem os sábios e doutos senhores do futebol: se levanta taça, nada mais importa. E eu, de certa forma, concordo, ao menos no que tange o time em si.

No meio de uma pandemia, onde o número de mortos cresce a cada dia, onde as atitudes dos governantes beiram a irracionalidade e a população age usando de todo o seu direito de ser estúpida, inconsequente e deseducada (princípios básicos para ser brasileiro nato) vamos torcer para sermos campeões, mas comemorar… comemorar é bem mais difícil.

Domingo, 21h, GRÊMIO e Palmeiras na Arena, é o primeiro confronto e para almejar algo é importante fazer um resultado positivo.

Era isso, perdoem-me por não estar mais entusiasmado como fui outrora, mas a situação geral do Brasil não permite muito otimismo.


Anderson Kegler

MBG Analisa – Final da Copa do Brasil

Não é novidade para ninguém que o Renato muda pouco ou quase nada a forma de jogar do seu time. O Grêmio vem no famoso e comum 4-2-3-1 há alguns anos com poucas variações para o 4-1-4-1 que pode ser um 4-3-3 quando ataca.

Mas antes de falar do que já sabemos, vou tentar elucidar um pouco sobre o Palmeiras e o que esperar do atual campeão da Libertadores.

O técnico português Abel Ferreira chegou no clube em novembro do ano passado e de lá pra cá já foram 28 jogos com 15 vitórias, 6 empates e 7 derrotas. Um aproveitamento de 60,71%.

O que notamos nessa ainda curta passagem do treinador pelo palmeiras é que ele já testou algumas variações para chegar ao modelo que venceu a Libertadores e jogou o Mundial. Nesse modelo atual, o time fica menos com a bola, é mais intenso na marcação em linhas baixas e explora muito a velocidade pelos lados do campo. A pergunta que fica é se isso se deve ao desgaste físico dos atletas ou se a qualidade do elenco é para este tipo de jogo.

Vamos ilustrar: Na vitória palmeirense contra o River Plate pela semifinal da Libertadores, os 3×0 foi fruto de pouca posse de bola e muita efetividade no contra ataque. Nesse jogo o River teve 70% de posse de bola e trocou 558 passes contra 230 do time palmeirense. Chutes a gol? 11 a 11. Chutes que foram no alvo? 7 a 2 para o Palmeiras.

A gente sabe da discussão sobre posse de bola e efetividade e que não ganha jogo, mas é estatístico que se você ficar mais com a bola, menos corre risco de perder. O técnico Abel Ferreira abriu mão disso para encaixotar o River Plate e vencer aquela partida. Não só isso. Abriu mão para os próximos jogos e quase viu a vantagem no jogo da volta ir para o ralo e ganhou a Libertadores com muito custo contra um Santos bem mais inferior.

Outro jogo que me chamou a atenção para o posicionamento do time palmeirense foi contra o Tigres, pelo Mundial de Clubes. No papel, 4-4-2. Na prática, na maior parte do tempo se defendendo, um 5-4-1 onde Gabriel Menino, pela direita recua para fechar na linha dos defensores.

MBG Analisa - Final da Copa do Brasil
Gabriel Menino, recua pela direita fechando uma linha de 5 defensores.

Nesse jogo contra o Tigres, apesar de mais equilibrado em posse de bola, já que o Tigres também é um time que não fica tanto com a bola, o Palmeiras chutou menos a gol. A derrota por 1 a 0 foi suave mas o Tigres criou mais chances perigosas, 3 contra 1 apenas do palmeiras.

Com a defesa mexicana bem postada sempre, o Palmeiras não teve a chance de esticar as bolas invertidas para a corrida do Rony. O jogador esteve sempre bem marcado e o time pouco conseguiu ser vertical como vinha sendo.

O que nos leva a essa final de Copa do Brasil. Como o Grêmio pode explorar as falhas do Palmeiras e não cair na armadilha verde? Bom. Sabemos que o time do Grêmio gostava de ficar com a bola. Gostava, não gosta mais. Não sei se por opção do Renato ou por falta de qualidade desse elenco, o time já não é mais o possuidor de bola e muitas vezes prefere jogar reagindo ao time adversário.

No jogo do Brasileirão, no confronto entre Renato e Abel, vimos um pouco disso. Um palmeiras abdicando da bola e um Grêmio sem saber o que fazer com ela. Um primeiro tempo desastroso e desinteressado do Grêmio e um segundo com o Palmeiras se retraindo demais e não conseguindo explorar o contra ataque. 

Nesse jogo em específico o Grêmio rodava a bola no ataque, posse constante e linhas altas com o Palmeiras se fechando de todas as formas já dentro da área. Coloquei uma imagem no post que mostra a defesa palmeirense numa linha de 6 jogadores para tentar diminuir o espaço.

MBG Analisa - Final da Copa do Brasil
Palmeiras fechando com linha de 6 defensores contra o Grêmio pelo Brasileirão

O Grêmio teve 66% de posse na segunda etapa, dando 7 chutes no gol. Acabou empatando no final do jogo após a entrada do Maicon, que faz uma tabela pelo lado direito com o Alisson. O ponta cruza e o Diego Souza sobe como legítimo centro-avante para empatar o jogo.

É bem provável que as duas equipes venham com os mesmos times que vinham jogando. Dificilmente um dos treinadores vai inovar nesse momento da temporada que é extenuante. O palmeiras ainda mais desgastado pela viagem ao Qatar certamente vai seguir o modelo de dar a bola ao adversário para explorar a velocidade do Rony.

Sabendo disso, o que o Renato precisa fazer e certamente já deve estar fazendo é treinar movimentações de criação de espaço no ataque. A gente já viu que tabelas com aproximação dos meias pelas pontas é um caminho. Principalmente nas costas do lateral direito Marcos rocha, que é mais vulnerável.

A dúvida que me resta nessa análise pré-final é se veremos Maicon em campo desde o início ou se o Renato vai ser conservador com Matheus, Lucas Silva e Jean Pyerre no meio. Eu confesso que gostaria de ver o Maicon sair jogando e o Grêmio já dominar a posse e as ações desde o princípio. O palmeiras estará de maior sangue-doce nessa final e o Grêmio vem pro ALL-IN. E se é pra ir pra cima, que seja com qualidade.

Quem diz entender o futebol gremista está mentindo

Temos que escrever, comentar e apontar agora simplesmente porque fazer isso na semana da final é coisa de pau no cu: Será que seremos competitivos nessa final da copa do brasil? Será que poderemos surpreender a todos e levantar a taça da copa pela sexta vez na história?

O torcedor que diz entender o futebol praticado pelo Grêmio está mentindo ou nunca entendeu do esporte. É impossível achar um padrão de jogo, ao menos um padrão positivo, para o que está se aplicando em campo de novembro para cá.

Quando o Grêmio achou seu estilo de jogo, ao menos algo próximo disso, nessa temporada era um futebol veloz de contra-ataque e fulminante. Os meses foram passando desde a conquista do Gauchão e parece que nossa curva de desenvolvimento já atingiu o auge e agora volta a descer.

Quem diz entender o futebol gremista está mentindo
Foto: Lucas Uebel

O medo de acordar um dia e ver jogadores sendo ressuscitados para jogar a final é gigante. Robinho jogando de meia no jogo de volta da final! Essa ideia é realmente assustadora, mas como posso esperar algo diferente?

Reza a lenda que o Renato é, além de tudo, um cara que consegue inspirar os jogadores. A grande dúvida que fica na minha mente é quem vai inspirar o cara que deve inspirar nosso time?

A confiança no time está abalada. Não sei como está a confiança do time, se eles confiam neles mesmos. Reza a lenda que o Renato é, além de tudo, um cara que consegue inspirar os jogadores. A grande dúvida que fica na minha mente é quem vai inspirar o cara que deve inspirar nosso time? Renato parece triste, distante…

Avançando no assunto, deixo claro que não sou daqueles chatos que acham que o Grêmio não deveria fazer rodízio de seus jogadores. Eu, na verdade apoio, pois acredito que um grupo forte e testado é melhor que um grupo dependente sempre dos mesmos.

O que me intriga é que gostaria de ver um fio que conecta, uma diretriz, uma ideia central tática que oriental os onze jogadores em campo. Isso não parece que está acontecendo. Será que acabaram as ideias do Grêmio? E se acabou, acabaram assim, sem mais nem menos? Não teremos mais um fator surpresa para apresentar ao adversário? Devo jogar a toalha? Isso eu me recuso, Grêmio.

Para finalizar, são muitos assuntos e quero evitar me estender demais, porque alguns jogadores são punidos com o ostracismo e outros não? O que acontece com Darlan?

E já que esse texto é mais para fazer perguntas do que para respondê-las, agora faço a derradeira: Qual o aprendizado e amadurecimento que levaremos dessa temporada para a próxima? A única certeza que temos é do calendário igualmente agonizante e apertado. 


Fane Webber

MBG Live #02

Saudações tricolores!

Live #02 do MBG gravada ao vivo no pós-jogo da semifinal da Copa do Brasil. Empate no Morumbi e o Grêmio garantiu a classificação para mais uma final.

Gabriel Pinto, Fane Webber, Anderson Kegler e Rodrigo de Azevedo fazem a análise do jogo, a boa atuação de Diogo Barbosa, da eficiência da defesa tricolor, da dependência de Alisson e a perspectiva para a grande final da Copa do Brasil contra o Palmeiras.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG no Ano Novo!

MBG Live #01

Saudações tricolores!

Iniciando um novo produto, o MBG apresenta o Live #01. Podcast gravado ao vivo no pós-jogo da semifinal da Copa do Brasil.

Gabriel Pinto, Fane Webber e Anderson Kegler comentam em tempo real o final da vitória do Grêmio contra o São Paulo. Análise de partida, corneta nos jogadores, panetone e muita alegria.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

O que podemos aprender na eliminação da Libertadores para superar na Copa do Brasil

Não é fácil superar uma eliminação na Libertadores, especialmente contra uma equipe que tem hoje menos condições que o Grêmio.

Mas o fato é que o Grêmio foi ridiculamente superado pelo Santos e se na primeira partida a gente pode aprender algumas lições, a segunda partida deixou mais claro isso. E entender esses dois jogos são fundamentais para conseguirmos avançar a mais uma final de Copa do Brasil. Vou trazer apenas duas que pude observar com clareza:

Primeira lição: Intensidade e linhas altas

O Santos marcou em cima, encaixou os jogadores e avançou as linhas. Não vou detalhar aqui pois o twitter do @Analixta já fez muito bem a análise em outro jogo, que serve da mesma maneira.

O São Paulo, adversário da semi-final, joga muito com linhas avançadas e apesar de não encaixar tanto a marcação por atuar nas zonas, a intensidade de pressão na bola é o ponto forte.

Segunda lição: Jogadores fora de posição

No jogo da volta aconteceu isso com maestria. Jean Pierre recua pra segundo homem do meio após a entrada de Pinares. Depois quem sai é o David Braz e entra o Churin, aí Matheus Henrique recua pra linha de zaga.

Ora, se o nosso melhor Jean Pierre é que atua lá mais perto do gol e Matheus Henrique tem uma chegada forte na entrada da área dando suporte para passe e conclusão, por que recuá-los? Para colocar jogadores de qualidade duvidosa mais na frente?

O adversário da vez

O São Paulo, treinador há mais de 1 ano pelo Fernando Diniz, não me parece o time que irá fazer como o Santos. Mudar o esquema para surpreender não é muito do feitio do técnico tricolor paulista.

Sendo assim, veremos um São Paulo com intensidade e pressão no jogador que tiver a bola. Linhas altas e construção de jogo pelo chão.

Como o Grêmio pode se aproveitar disso?

Jogar EXATAMENTE como o Santos fez contra o Grêmio. Linhas mais altas, encaixar a marcação e ser efetivo no ataque de maneira rápida aproveitando os espaços do adversário. Que vão surgir.

Na defesa, se fechar, como o Santos fez. Intensidade absurda e linhas bem compactas e próximas.

Vamos avançar jogando dessa maneira? Não sei, mas me parece uma estratégia pontual a fim de segurar o líder do campeonato brasileiro e garantir mais uma vez a vaga na final da Copa do Brasil.

Seguimos.


Gabriel Pinto

MBG Drops #61

Feitoria!!

MBG chegando na semana com Fane Webber comandando o programa recheado de vitórias e alegrias.

Diovan Charão e Bruno Dornelles deixam os pitacos sobre a sequência de DECOLAGEM do tricolor no Brasileirão e também na Copa do Brasil.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Drops #60

Feitoria!!

Drops da semana trazendo assuntos atualizadíssimos do tricolor. Fane Webber comanda o programa que traz Diovan Charão, Anderson Kegler, Gabriel Pinto e Rodrigo de Azevedo nos comentários.

Na pauta o Brasileirão, a DECOLAGEM tricolor, a Copa do Brasil e o confronto contra o Cuiabá pelas quartas-de-final.

Ouçam e espalhem a palavra do MBG.

MBG Retrô – #215 Pentacampeão da Copa do Brasil

Feitoria!!

Mais um MBG Retrô para ficarmos em casa relembrando bons momentos do programa.

Dessa vez vamos rememorar a gravação do dia 14/12/16 sobre a grande final da Copa do Brasil e o título do tricolor.

Fiquem em casa e espalhem a palavra do MBG pelas redes sociais.